A preocupação central no entorno do presidente é evitar que a crise envolvendo Moraes respingue na candidatura petista. Aliados reconhecem que, para parte da população, o ministro do STF está associado ao campo político de Lula, sobretudo por sua atuação no julgamento da tentativa de golpe de 2023, que resultou na condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.
Em uma tentativa de descolar a imagem do presidente da do magistrado, a campanha deve adotar no horário eleitoral uma defesa mais ampla de mudanças no sistema político e judicial brasileiro. Por enquanto, Lula não deve aparecer pessoalmente falando sobre as suspeitas contra o Supremo. Essa abordagem ficará a cargo de locutores.
Lula avaliou que Moraes teve papel de destaque no julgamento da trama golpista, alcançou uma projeção inédita para um integrante da Corte e agora estaria desperdiçando o prestígio conquistado. O presidente, no entanto, deve evitar comentários diretos até que surjam informações consideradas suficientes para um diagnóstico mais definitivo sobre a relação entre Vorcaro e Moraes.
A linha pública da campanha foi sinalizada em vídeo divulgado pelo presidente do PT e coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva. Ele defendeu mudanças no Judiciário e no sistema político, associando o tema ao combate a privilégios.
“A campanha do presidente Lula defende que é urgente mudar o sistema político e judicial do Brasil, que vive uma profunda crise, que protege poderosos, perpetua privilégios e a corrupção. O sistema apodreceu”, afirmou Edinho.
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