sábado, 17 de outubro de 2026
Lula protesta após almoço de Flávio na Globo: "não merece confiança"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a TV Globo nesta sexta-feira (16), após o senador Flávio Bolsonaro (PL) participar de um almoço com a direção da emissora poucas horas antes de sua sabatina eleitoral. Durante ato de campanha em Ipatinga (MG), Lula demonstrou indignação com o encontro e declarou que a empresa "não merece confiança".
O presidente participou da sabatina do Jornal Nacional na quinta-feira (15), sem ter sido recebido pelos executivos da empresa. Flávio será entrevistado nesta sexta, às 21h15, pela jornalista Renata Lo Prete, após a edição do telejornal.
"Sabem que ontem eu fiz uma entrevista no Jornal Nacional, hoje é dia do Flávio fazer a entrevista dele. Sabe o que aconteceu agora de tarde? Ele foi almoçar com a direção da Globo", protestou Lula.
O presidente passou então a atribuir um suposto descontentamento da emissora a decisões recentes de seu governo, entre elas a proibição das bets e a aprovação do fim da escala de trabalho 6x1. Também mencionou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e a promessa de oferecer transporte público gratuito aos fins de semana.
"Certamente ela está com raiva de mim porque ela sabe que eu vou dar o transporte gratuito no final de semana para o povo brasileiro poder passear com a sua família", declarou.
Ao encerrar as críticas, Lula anunciou que passaria a tratar a Globo com desconfiança, chegando a declarar a suspensão da emissora em relação à sua campanha. "Então, eu quero dizer para vocês que, a partir de hoje, a Globo está sob suspensão da minha candidatura. Não merece confiança. Não merece."
Almoço com a direção da Globo
O encontro entre Flávio Bolsonaro e executivos da Globo ocorreu na sede da empresa, no Rio de Janeiro, e foi revelado pelo portal Metrópoles. O senador esteve acompanhado de seu coordenador-geral de campanha, Rogério Marinho (PL-RN), e de um assessor de imprensa. Foi a segunda reunião do presidenciável com integrantes da direção da emissora neste ciclo eleitoral, após uma visita realizada antes do início oficial da campanha.
A Globo confirmou que Flávio foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. A empresa informou que nenhum dirigente da área de jornalismo participou do encontro e sustentou que visitas institucionais de candidatos são procedimentos habituais no relacionamento entre empresas de comunicação e representantes políticos.
Do Congresso em Foco
TSE decide manter ordem para Meta garantir isonomia a candidatos
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, nesta sexta-feira (16) manter a decisão individual do ministro Marco Aurélio Belizze que proibiu a Meta de restringir a entrega de postagens que envolvem os candidatos à Presidência da República. 

Os votos foram proferidos pelos ministros Floriano de Azevedo Marques, André Mendonça, Estela Aranha, Ricardo Villas Bôas Cueva, Nunes Marques e Dias Toffoli, além da manifestação de Belizze.
Pela decisão do TSE, o Facebook, uma das plataformas operadas pela Meta, deve abster-se de aplicar medidas de redução de distribuição, exclusão de recomendação e restrição de buscas.
Em caso de descumprimento, será aplicada multa diária de R$ 500 mil.
A decisão foi proferida após a campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informar ao TSE que comandos para geração de imagens de inteligência artificial não permitiam a criação de conteúdos sobre Lula. Contudo, a criação de imagens relacionadas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) está liberada.
Outro lado
Após o PT denunciar as falhas, a Meta declarou que a recomendação de candidatos foi proibida, conforme determinação do TSE. A plataforma também informou que tomou medidas adicionais para restringir as recomendações.
“Em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil, nós proibimos temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”, afirmou a empresa.
Da Agência Brasil
José Sarney recebe alta hospitalar após nove dias de internação
Após nove dias de internação, o ex-presidente da República, José Sarney, de 96 anos, recebeu alta hospitalar na manhã deste sábado (17). 

Ele estava internado na UDI Hospital, da Rede D’Or, em São Luís (MA) desde o dia 09 de outubro, onde passou por uma cirurgia abdominal.
Segundo o boletim médico divulgado de hoje, Sarney recebeu alta após apresentar uma evolução clínica satisfatória. Ele continuará sob acompanhamento médico ambulatorial.
Desde setembro, Sarney foi internado outras duas vezes. No dia 13 de setembro, foi internado neste mesmo hospital devido ao quadro de pneumonia.
Já no dia 24 de setembro, foi internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para dar continuidade ao tratamento de pneumonia.
Escritor e político, José Sarney foi o primeiro presidente da República da era da redemocratização, entre 1985 e 1990. Foi também senador da República e governador do Maranhão. Em 2014 ele anunciou sua aposentadoria da carreira política.
Da Agência Brasil
Abstenção de eleitores com mais de 70 anos cai 9,7 pontos percentuais
A abstenção de eleitores com mais de 70 anos caiu quase 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições, segundo um levantamento do Movimento Voto 70+, iniciativa apartidária da sociedade civil que defende a participação política dos idosos.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reunidos pelo movimento, o percentual de eleitores nessa faixa etária que não foram votar passou de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026.
No eleitorado em geral, a abstenção em 2026 foi de 21,08%, o que significa que 33 milhões de brasileiros aptos deixaram de participar.
O voto é facultativo para eleitores com mais de 70 anos, assim como para os analfabetos e para os jovens com mais de 16 e menos de 18 anos. Na hora de votar, eleitores com mais de 80 anos têm prioridade nas filas das seções eleitorais.
A página da Corte que apresenta os resultados da eleição traz mais detalhes sobre o comparecimento às urnas dos idosos que têm voto facultativo:
- 70 a 74 anos: 68,77%;
- 75 a 79 anos: 52,23%;
- 80 a 84 anos: 37,12%;
- 85 a 89 anos: 24,30%;
- 90 a 94 anos: 13,46%;
- 95 a 99 anos: 4,34%.
Mais eleitores idosos
A redução ocorreu em um cenário de expansão do eleitorado de mais de 70 anos, que passou de 14,9 milhões, em 2022, para 17,2 milhões de pessoas aptas a votar em 2026. O grupo cresce para 36,8 milhões de eleitores se forem considerados também os que têm mais de 60 anos.
Para a idealizadora do Movimento Voto 70+, Cléa Klouri, o aumento do comparecimento representa um avanço importante, porque é um sinal de que o envelhecimento não significa afastamento da vida política.
“Estamos falando de uma geração que ajudou a construir o país e que continua tendo muito a contribuir para as decisões sobre o próprio futuro", afirma Cléa.
A pesquisadora Adriana de Queiroz contou que, para entender o que está por trás do não comparecimento nessa faixa etária, o Movimento Voto 70+ conduziu a pesquisa exploratória Retratos do Voto 70+: descobertas sobre a abstenção eleitoral.
O estudo identificou três perfis entre os eleitores 70+ que deixariam de votar ou não tinham certeza se iriam comparecer às eleições de 2026:
- o eleitor com “baixa autoestima política”, que acredita que seu voto não faz diferença;
- o eleitor que considera que o resultado da eleição já não terá impacto sobre sua vida;
- o eleitor que deseja votar, mas enfrenta barreiras físicas, como filas, distância do local de votação ou dependência de terceiros para se deslocar até a zona eleitoral.
“Entender essas diferenças é importante para compreender por que um eleitorado que cresce tão rapidamente continua apresentando níveis tão elevados de abstenção”, afirma Adriana, que é pesquisadora do Data8, centro de pesquisa, tendências, inteligência e inovação sobre a economia da longevidade.
A psicóloga Maria Lidia Gomes de Mattos é ajudada por outros eleitores para votar na Zona Sul do Rio de Janeiro. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Segundo turno
O Movimento Voto 70+ pretende ampliar o debate sobre os obstáculos que dificultam o comparecimento às urnas. Entre eles, estão as limitações de mobilidade, a ausência de redes de apoio e o etarismo.
No segundo turno, o comparecimento dos 70+ continua a contar com um incentivo relevante: o voto pode ser utilizado pelo INSS para a prova de vida automática de aposentados, pensionistas e beneficiários de programas assistenciais. Em 2026, a medida vale, inclusive, para os que não votaram no primeiro turno.
Idoso usando celular na Rodoviária do Plano Piloto de Brasília Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
'Vovó vota'
No segundo turno, o Movimento Voto 70+ promoverá também a campanha Vovó Vota, que propõe aproximar netas e avós durante as eleições. A iniciativa busca enfrentar barreiras que contribuem para a abstenção feminina, como dificuldades de mobilidade, ausência de redes de apoio e desestímulo familiar.
Em 2022, segundo dados reunidos pelo Data8, 64% das mulheres com mais de 70 anos não votaram, percentual dez pontos superior ao registrado entre os homens da mesma faixa etária.
Por meio de um guia digital, a campanha reúne orientações práticas para organizar o deslocamento até o local de votação, conferir documentos e oferecer companhia às eleitoras que desejam comparecer às urnas.
Da Agência Brasil
PF pede prorrogação de inquérito sobre financiamento do Dark Horse
A Polícia Federal (PF) pediu nesta sexta-feira (16) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação, por 90 dias, do inquérito que investiga os pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com o delegado responsável pela apuração, Anderson Rodrigo Andrade de Lima, a prorrogação é necessária para conclusão de perícias contábeis e para aguardar a tramitação do pedido de cooperação internacional com os Estados Unidos para obter registros financeiros de entidades estrangeiras que teriam recebido repasses.
Os investigadores da PF também avaliam documentos repassados pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, delator do caso Master.
Os documentos comprovariam repasses para o fundo de investimentos Havengate Development, criado nos Estados Unidos para receber os pagamentos para o filme.
O caso chegou ao Supremo após o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitar a investigação sobre o pedido de dinheiro feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, a Vorcaro para o custeio das gravações.
O filme que retrata a vida política de Bolsonaro veio à torna após o site The Intercept revelar que o senador pediu dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações.
Após a divulgação da conversa entre Flávio e Vorcaro, ocorrida em novembro do ano passado, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro e disse que os recursos eram privados.
Em julho deste ano, Flávio Bolsonaro foi incluído no inquérito e também passou a ser investigado.
Da Agência Brasil
Em sabatina na Globo, Flávio Bolsonaro não explica propostas e faz acusações sem provas
O candidato à presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, foi sabatinado na noite desta sexta-feira (16) pela TV Globo. Durante pouco mais de 40 minutos, Bolsonaro negou a tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023, disse que não tentaria uma reeleição caso eleito e afirmou que não teve “nada de errado” em pedir R$ 130 milhões para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso. 

Questionado, o candidato do PL afirmou que a multidão que invadiu e depredou prédios públicos na Esplanada dos Ministérios no dia 8 de janeiro exigindo a ascensão de Jair Bolsonaro, seu pai, ao poder, não foi uma tentativa de golpe de Estado. Chamou de “farsa” o julgamento do seu pai, condenado a 27 anos de prisão.
“Essa farsa, a história vai mostrar que foi totalmente armado para tentar tirar Bolsonaro da vida pública”, disse. Ele minimizou o episódio, afirmando que “uma senhora com Bíblia” não estava tentando dar um golpe.
Na ocasião, milhares de pessoas agrediram policiais e invadiram e vandalizaram os prédios do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal.
Flávio disse que não tratou com seu pai uma eventual vaga em seu governo. Em várias declarações anteriores, ele já havia dito que daria indulto a Jair Bolsonaro. Mas não confirmou se seu pai ocuparia um cargo no Executivo. Ele também disse que seu irmão, Eduardo Bolsonaro, não será o ministro das Relações Exteriores, caso seja eleito.
“Ele é um perseguido político”, disse o candidato sobre o irmão. “Um dia será reconhecido como alguém que se sacrificou para defender a democracia”, acrescentou.
Eduardo Bolsonaro mora atualmente nos Estados Unidos e é condenado no Brasil por coação no curso do processo. A Justiça brasileira entendeu que ele atuou contra os interesses do país, estimulando o tarifaço do governo dos EUA contra o Brasil como represália caso Jair Bolsonaro fosse condenado.
Bolsonaro foi condenado e o Brasil foi sobretaxado em vários produtos exportados para os EUA.
Escala 6x1
Após meses falando contra o fim da escala 6x1 de trabalho, Flávio, que é senador, se mostrou favorável à medida, aprovada no Senado esta semana e promulgada na manhã de hoje. Ele afirmou que ouviu trabalhadores em vários cantos do país e, por isso, votou a favor da proposta. Em seguida, disse que defende que o trabalhador escolha sua escala de trabalho.
“Eu sempre defendi mais liberdade, inclusive para os trabalhadores montarem sua jornada de trabalho. Isso pressupõe que a escala 6x1 seja extinta”, disse.
Questionado, ele afirmou que manterá todas as leis trabalhistas.
Crime organizado
Flávio ressaltou a promessa de que classificará as facções criminosas Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas, sem explicar como isso vai mudar, na prática, o combate ao crime organizado. Além disso, defendeu mudanças na lei do desarmamento, para facilitar o acesso do cidadão a armas. “O problema é que as armas estão nas mãos das pessoas erradas”, disse.
Questionado, evitou falar sobre seu apoio a projeto para retirar a marcação de cápsulas de balas das forças de segurança. Se aprovada, a medida dificultaria o combate ao crime, já que a identificação de munições previne desvios e ajuda em investigações.
Perguntado sobre suas relações estreitas com políticos do Rio de Janeiro envolvidos com crime organizado, como o ex-deputado Rodrigo Bacellar e o deputado eleito Márcio Canella, Flávio Bolsonaro se disse surpreso com as relações dos amigos com o Comando Vermelho.
Afirmou que eles têm direito à ampla defesa, mas que a Justiça não pode poupar ninguém que seja culpado.
Vorcaro e Dark Horse
As relações do candidato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro também foram exploradas na entrevista. Ele continuou afirmando que tudo relacionado ao dinheiro dado por Vorcaro (cerca de R$ 60 milhões) para, supostamente, financiar o filme Dark Horse, já havia sido esclarecido.
Flávio explicou que chegou ao nome de Daniel Vorcaro como financiador do filme enquanto prospectava vários possíveis investidores. “E ele concordou quando não havia nada de errado [com o banco]”. O candidato, no entanto, continuou cobrando dinheiro a Vorcaro mesmo depois de reveladas as suspeitas de fraude no Master.
Queimadas
Flávio acusou o governo de ser recordista em queimadas na Amazônia. "Esse foi o outubro com maior queimada na história da nação brasileira", afirmou.
No entanto, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que medem os focos de calor desde 1989, mostram que, até 15 de outubro, a Amazônia registrou 9.544 focos de calor, bem longe dos maiores números.
Reeleição
Flávio Bolsonaro também reiterou seu desejo de acabar com a possibilidade de reeleição para presidente da República. Deixou em aberto se a duração do mandato mudaria. Segundo ele, a decisão seria uma atribuição do Congresso Nacional. A proposta, segundo ele, valeria já para o próximo mandato, a ser ocupado por ele, caso vença as eleições.
“Partiu de mim apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição onde acaba a reeleição para presidente. E aí depende do congresso a duração do mandato, se vai ser de quatro anos ou não”.
Segundo ele, seria proibido também que parentes do presidente da República até o terceiro grau se candidatassem na sequência.
Flávio disse não ter apego ao poder. O candidato de 45 anos soma 23 anos de mandatos como deputado estadual e senador.
Economia
O candidato do PL tem defendido um corte na dívida da União de mais de R$ 200 bilhões. Ele disse que poderá conseguir esse valor vendendo imóveis públicos que estão abandonados. Também afirmou que poderá arrecadar “R$ 100 bilhões de largada” com a exploração da margem equatorial, ignorando que a exploração não começará, de acordo com própria Petrobras, antes de 2033.
Flávio Bolsonaro disse também que vai extinguir ao menos dez ministérios. Afirmou que seu pai, quando presidente, cortou milhares de cargos em comissão, de livre indicação da administração pública.
Uma checagem já realizada pelo UOL, no entanto, demonstrou que além de não cortar cargos em comissão, o governo de Jair Bolsonaro registrou um aumento nesse tipo de contratação. O número de cargos passou de 31,8 mil em 2019 para 46,2 mil em 2022.
Almoço com emissora
Horas antes da sabatina, o candidato do PL foi almoçar com diretores da Rede Globo. O almoço foi confirmado pela emissora, após a notícia vazar para a imprensa. A emissora afirmou que Flávio Bolsonaro foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, José Roberto Marinho, e por Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais.
A Globo também informou que o encontro não teve a presença de nenhum integrante do jornalismo da emissora e que pedidos de visitas institucionais “são parte da rotina de todos os executivos da empresa”. Acrescentou ainda que é usual que “candidatos façam encontros de cortesia”.
Adversário de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostrou incômodo com a notícia. Ele foi sabatinado ontem (14) na emissora e não houve almoço prévio com os diretores.
Da Agência Brasil
Globo confirma encontro de Flávio Bolsonaro com cúpula da emissora antes de sabatina no JN
Do ICL Notícias
A TV Globo confirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, fez uma visita institucional à sede da emissora, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (16), horas antes de participar da sabatina do Jornal Nacional (JN).
A nota foi enviada ao ICL Notícias após a publicação da coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, que revelou que Flávio tinha um almoço reservado com a cúpula da emissora no mesmo dia da entrevista.
Segundo a Globo, o senador foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. A emissora afirmou que o encontro não contou com a presença de lideranças do Jornalismo.
Na nota, a empresa alega que pedidos de visitas institucionais “fazem parte da rotina dos executivos de empresas de mídia” e que é “usual que candidatos a cargos eletivos façam encontros de cortesia”.
Segundo a coluna do Metrópoles, Flávio esteve acompanhado do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral de sua campanha presidencial, e de um assessor de imprensa.
Este seria o segundo encontro de Flávio com a cúpula da emissora. O primeiro, conforme Igor Gadelha, ocorreu antes do início oficial da campanha eleitoral, como parte de uma agenda de visitas do senador aos principais veículos de comunicação.
Lula não teve encontro com executivos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também candidato à Presidência, foi entrevistado na quinta-feira (15).
De acordo com informações publicadas pelo Metrópoles, auxiliares de Lula afirmaram que o presidente não teria sido convidado para um almoço semelhante com executivos da Globo.
A Globo respondeu ao ICL Notícias que as visitas institucionais são comuns e que também teria atendido a um eventual pedido da campanha de Lula. O presidente, no entanto, não fez solicitação semelhante, e não houve, portanto, um encontro entre Lula e os executivos da emissora nos mesmos moldes.
Até a publicação, a assessoria do senador não havia se manifestado. O espaço segue aberto.

Lula critica Globo após encontro com Flávio
Durante um ato em Ipatinga (MG), na noite desta sexta-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a TV Globo após a notícia de que Flávio Bolsonaro havia almoçado com a direção da emissora horas antes da sabatina no Jornal Nacional.
Lula afirmou que a emissora estaria insatisfeita com medidas de seu governo, como o fim das bets, a aprovação do fim da escala 6×1 e a proposta de transporte gratuito nos fins de semana. Também mencionou a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Certamente, a Globo está com raiva de mim porque eu acabei com as bets e ela tinha bets. Certamente, a Globo está com raiva de mim porque nós aprovamos o fim da escala 6×1”, declarou.
O presidente também questionou a relação entre a emissora e o candidato do PL e afirmou que a Globo está “sob suspeição” para sua candidatura, pois “não merece confiança”.
Confira a declaração de Lula na íntegra:
“Hoje é dia do Flávio ir fazer a entrevista dele. Sabe o que aconteceu agora de tarde? Ele foi almoçar com a direção da Globo. Certamente, a Globo tá com raiva de mim porque eu acabei com as bets e ela tinha bets. Certamente, tá com raiva de mim porque aprovamos a escala do fim da 6×1. Certamente, tá com raiva de mim porque sabe que eu vou dar o transporte gratuito no fim de semana para o povo brasileiro poder passear com a família. Ela deve tá com raiva porque sabe que fomos nós que prendemos o Vorcaro. Então, eu quero dizer para vocês que, a partir de hoje, a Globo está sob suspeição da minha candidatura, não merece confiança.”
Confira a nota da TV Globo na íntegra:
O candidato à presidência da República do PL, Flavio Bolsonaro, fez hoje uma visita institucional à sede da Globo, no Rio de Janeiro, e foi recebido pelo presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, e pelo vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. O encontro não contou com a presença de lideranças do Jornalismo. Pedidos de visitas institucionais são parte da rotina de todos os executivos de empresas de mídia, sendo usual que candidatos a cargos eletivos façam encontros de cortesia.
TV GLOBO SOB SUSPEITA
Do ICL Notícias
A informação de que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro teve almoço nesta sexta-feira (16) com a cúpula da TV Globo explodiu de forma ruidosa no meio político. Afinal, o encontro acontece no mesmo dia da sabatina de Flavio na emissora, e levantou dúvidas sobre parcialidade da Globo a favor da candidatura do PL.
A informação do almoço foi publicada em primeira mão pelo colunista do Metrópoles, Igor Gadelha
A explicação do veículo é insatisfatória. “Pedidos de visitas institucionais são parte da rotina de todos os executivos de empresas de mídia, sendo usual que candidatos a cargos eletivos façam encontros de cortesia”, diz uma nota.
O ministro da Comunicação de Lula, Sidonio Palmeira, reclamou. “É muito grave que a empresa receba um candidato para visita no dia em que ele dará uma entrevista na própria emissora, e no momento de uma eleição em que a democracia está em jogo”, afirmou, em entrevista à coluna de Monica Bergamo, na Folha de S.Paulo.
O histórico antipetista da Globo é conhecido de todo o Brasil. Está marcada para sempre a manipulação do debate presidencial de 1989 entre Lula e Fernando Collor, admitido pela própria emissora. Também a farsa da Lava Jato foi encampada por anos a fio pela Globo — com direito a ilustração com um duto que despejava dinheiro todas as noites no Jornal Nacional.
Agora, a cobertura insípida do jornalismo global normalizou o candidato golpista como se ele não fosse uma ameaça real à democracia. Nessa reta final, os noticiários do grupo ignoram a grande mobilização nas ruas de todo país a favor de Lula.
“A partir de hoje a globo está sob suspeição da minha candidatura. Não merece confiança!”, bradou o candidato petista à reeleição.
Foi indigesto esse almoço de João Roberto Marinho e Paulo Tonet com Flávio Bolsonaro.
A imparcialidade, decantada pela empresa em prosa e verso, mais uma vez em xeque.
Afinal, como todos sabemos, não existe almoço grátis.
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
CUT elogia fim da “massacrante” 6x1; CNI quer revisar PEC aprovada
Enquanto os sindicatos que representam trabalhadores comemoram o fim da escala 6x1, as entidades empresariais lamentam a abolição da jornada e cobram do Congresso Nacional a revisão da proposta de emenda à Constituição (PEC) aprovada na noite desta quarta-feira (14). 

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) saudou o fim da “massacrante escala 6x1” e a redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais como uma vitória “maiúscula da luta, do suor e da organização da classe trabalhadora brasileira”.
“[A aprovação] marca um divisor de águas na superação de um modelo arcaico e cruel que suga as energias de quem realmente trabalha e produz a riqueza desta nação”, afirmou a entidade, em nota.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reclamou que a PEC representa um “retrocesso” para o Brasil, que já sofre com baixa produtividade e falta de competitividade.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, pediu que o Congresso revise a aprovação da PEC 221/2019 “após a constatação, por exemplo, da perda de competitividade e da alta inflacionária”.
“Acreditamos que o Congresso Nacional possa abrir espaço para revisitar o tema visando encontrar a melhor solução para a economia brasileira”, disse o representante.
Também por meio de nota, a Força Sindical destacou que o “diálogo democrático” com todos os segmentos da sociedade conquistaram a aprovação da PEC do fim da 6x1.
“A medida beneficiará milhões de pessoas pelo país, que poderão contar com mais tempo para cuidados com a saúde, convivência com a família, formação, lazer, ou seja, para usufruir como melhor lhe convém”, escreveu Miguel Torres, presidente da central Força Sindical.
Torres acrescentou que estudos e experiências internacionais demonstram que a redução da jornada tende a elevar a produtividade, qualificar o tempo de trabalho e gerar novos postos de emprego.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que representa as empresas, lamentou a discussão do tema “em pleno período eleitoral”.
“Mudanças estruturais dessa magnitude exigem aprofundamento técnico, diálogo e avaliação criteriosa de seus impactos sobre o emprego, a competitividade e a sustentabilidade das empresas, especialmente nos setores de comércio, serviços e turismo”, escreveu, em nota, a entidade patronal.
A CNI calcula que a redução da jornada aumenta os custos de produção em até R$ 267 bilhões, com queda de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e inflação média de 6,2%.
Estudos têm divergido sobre impactos no PIB e na inflação do fim da escala 6x1. Enquanto algumas pesquisas registram amplos impactos negativos, outras apontam prejuízo residual.
Estudo do Ipea avalia que a redução da jornada terá um impacto de 1% no custo total das empresas, em setores como comércio e indústria, chegando até 6,6% nos setores da vigilância e segurança.
Aprovação
O plenário do Senado concluiu a aprovação da PEC do fim da 6x1 na noite de ontem com 75 votos a favor e apenas um contrário.
A oposição, que era contrária à aprovação da matéria, mudou de lado após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautar o tema no plenário.
Em entrevista à TV Jovem Pan, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que, se eleito, Flávio Bolsonaro deve aprovar a PEC 12/2026, que prevê um contrato “por hora trabalhada”.
Entenda a PEC
O texto da PEC que acaba com a 6x1 prevê descanso remunerado obrigatório de dois dias por semana, em jornada máxima de 5x2, sem redução salarial, e também reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição total de 14 meses.
Pelo texto, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional as empresas deverão adotar a escala 5x2 e reduzir a jornada máxima para o máximo de 42 horas semanais de trabalho. Depois de mais 12 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais.
Da Agência Brasil
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