sexta-feira, 9 de outubro de 2026

PGR e PF suspeitam de adulteração ou gravação ilegal de áudio de Vorcaro para uso eleitoral contra Lula


Por Cleber Lourenço/ ICL Notícias

Procuradores da Procuradoria-Geral da República (PGR) familiarizados com as investigações do Banco Master suspeitam que o áudio atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro, divulgado pela revista Veja com acusações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tenha sido gravado ilegalmente na prisão para utilização durante a campanha eleitoral. 

A informação foi revelada em primeira mão pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e confirmada pelo ICL Notícias.

As suspeitas também existem dentro da Polícia Federal. Segundo fontes ouvidas pelo ICL Notícias, há dúvidas sobre a origem e a autenticidade do áudio, incluindo a possibilidade de que tenha sido produzido com o uso de inteligência artificial. Caso a gravação seja verdadeira, uma das hipóteses é de que tenha sido realizada clandestinamente e divulgada com finalidade eleitoral.

Questionada sobre essas possibilidades, uma fonte da cúpula da Polícia Federal afirmou que “só uma perícia poderá dizer”.

Em nenhuma das hipóteses é descartada a possibilidade de que o próprio Vorcaro tenha participado da articulação ou autorizado a divulgação do material. Não há, porém, comprovação de adulteração, gravação clandestina ou envolvimento deliberado do banqueiro.

PF avalia perícia sobre gravação

A Polícia Federal avalia a possibilidade de instaurar um inquérito para investigar a gravação atribuída a Vorcaro. Conforme revelado pelo ICL Notícias, a abertura da investigação permitiria à corporação realizar uma perícia no material e apurar as circunstâncias em que foi produzido.

A avaliação ocorre após os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, ligados ao grupo Prerrogativas, apresentarem, nesta sexta-feira (9), uma notícia de fato à Polícia Federal solicitando perícia urgente no áudio divulgado pela Veja.

Conforme noticiado pelo ICL Notícias, os advogados apontaram suspeitas de manipulação do material e pediram providências para esclarecer sua autenticidade e eventual utilização para interferir no processo eleitoral.

A Polícia Federal confirmou oficialmente o recebimento de uma notícia-crime relacionada à publicação e informou que encaminhou o expediente à área técnica responsável pelas providências de polícia judiciária.

Em nota oficial, a corporação também esclareceu que Vorcaro não prestou depoimento à instituição com o conteúdo divulgado pela revista.

Uma eventual perícia poderá verificar se o áudio corresponde a uma gravação real, se sofreu alterações ou se foi produzido artificialmente. Também poderá fornecer elementos para identificar sua origem e as circunstâncias em que foi obtido. Até o momento, a PF não anunciou uma conclusão técnica sobre o material.

"Brasil não será governado por sócios do Banco Master", diz Lula em ato de segundo turno


Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltou a defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de trabalho de seis dia para um dia de folga (6x1), em discussão no Senado Federal.

“Essa é a passeata que quer reduzir a jornada de trabalho, para as pessoas trabalharem cinco dias e descansarem dois. Fim da escala 6x1.”

O presidente participou de ato de campanha para o segundo turno das eleições em Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal, a cerca de 30 quilômetros de distância do centro de Brasília.

Ao confirmar presença em novo ato neste sábado (10), em Natal, o candidato prometeu ainda muito debate na televisão e na internet: “Agora, estou virando rei da selfie!”

“Podem ficar certos de que esse país não voltará a ser governado pelo fascismo. Não voltará a ser governado por aqueles assassinos de milhares de pessoas com covid-19. Esse país não será governado pelos sócios do Banco Master, pelos parentes do [ex-banqueiro Daniel] Vorcaro.”

Defesa do Brasil

Acompanhado da primeira-dama Janja Lula da Silva; do candidato ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass (PT); e da vice na chapa de Grass, Dora Gomes; Lula também defendeu a soberania do país e disse estar ao lado “dos que amam a bandeira verde e amarela do Brasil”.

“Do outro lado, estão aqueles que amam a bandeira americana. Essa [bandeira verde e amarela] é a bandeira daqueles que querem o Brasil soberano. Do lado de lá estão aqueles que querem que os americanos venham explorar as nossas riquezas aqui. Nós queremos dizer em alto e bom som: o Brasil e a riqueza do Brasil são do povo brasileiro.”

Flávio Dino expõe relatório com ameaça de assassinato contra ministros do STF


Felipe Pontes - Repórter da Agência Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), expôs nesta sexta-feira (9) um relatório de segurança contendo milhares de mensagens publicadas na internet com ameaças de agressões físicas e assassinato contra ministros da Corte. 

As imagens das mensagens, extraídas de um relatório produzido pelo próprio STF, foram publicadas por Dino em seu perfil verificado na rede social Instagram.

“Recebi hoje trechos de um relatório de Segurança do STF mostrando milhares de mensagens no mesmo sentido: ameaças de assassinato e agressões diversas”, escreveu o ministro. 

Uma das mensagens, que teve o autor ocultado por uma tarja preta, diz que Dino será “o primeiro a ser fuzilado”, em razão de “ter proibido o acesso às armas”. 

“Invadir o STF e fazer com Moraes, Dino e Zanin (sic) igual fizeram com Tiradentes, cabecinha em praça pública”, diz outra publicação, de acordo com a postagem do ministro. 

Para Dino, “o ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência”. Na legenda da imagem do relatório, o ministro acrescentou que “se as pessoas não concordam com decisões judiciais, elas podem recorrer aos colegiados competentes. Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões”. 

Dino afirmou ainda que tais ameaças não afetam seu trabalho como ministro do STF. “Em nada alterarei a minha atuação profissional, pois nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou”, afirmou. 

“Mas fica uma reflexão essencial: se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição”, completou o ministro. 

Ao menos desde 2019, os ministros do STF têm sido alvo de ameaças de agressões físicas e assassinatos, incluindo de familiares, em razão de decisões judiciais. Naquele ano, o então presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, determinou a abertura, de ofício, de uma investigação para apurar tais ameaças. Esse processo ficou conhecido como o Inquérito das Fake News e segue em andamento. 

Recebi hoje trechos de um relatório de Segurança do STF mostrando milhares de mensagens no mesmo sentido: ameaças de assassinato e agressões diversas. 
Em 37 anos como servidor público nunca respondi a um único processo criminal. 
O ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência. 
Se as pessoas não concordam com decisões judiciais, elas podem recorrer aos Colegiados competentes. Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões. 
Em nada alterarei a minha atuação profissional, pois nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou. 
Mas fica uma reflexão essencial: se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição.  Foto: flaviodino/ Instagram
Recebi hoje trechos de um relatório de Segurança do STF mostrando milhares de mensagens no mesmo sentido: ameaças de assassinato e agressões diversas. Em 37 anos como servidor público nunca respondi a um único processo criminal. O ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência. Se as pessoas não concordam com decisões judiciais, elas podem recorrer aos Colegiados competentes. Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões. Em nada alterarei a minha atuação profissional, pois nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou. Mas fica uma reflexão essencial: se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição. Foto: flaviodino/ Instagram - flaviodino/ Instagram

Defesa quer que André Mendonça analise soltura de Vorcaro


A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviou nesta quinta-feira (8) um documento ao Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar o julgamento de um pedido de soltura formalizado na Corte. 

A petição foi encaminhada ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, que será responsável pela decisão. 

No mês passado, Fachin determinou que os processos que tratam das investigações sobre Banco Master devem permanecer temporariamente na presidência do tribunal. 

A medida foi tomada após a guerra de liminares protagonizada pelos ministros da Corte, após o ministro André Mendonça, relator das investigações, pedir que o plenário da Corte autorize a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, que apareceu em conversas descobertas no celular de Vorcaro. 

Para a defesa do ex-banqueiro, Mendonça deve ser autorizado a analisar pedido de liberdade de Vorcaro.

“O peticionário está preso há mais de oito meses, sem ter sido indiciado, sem ação penal, em situação similar a outros implicados colocados em liberdade, apontando que a manutenção da prisão afronta a norma processual, constitucional e se mostra injustificável”, declarou a defesa.

Vorcaro foi preso em março deste ano e está custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal.

O ex-banqueiro é alvo das investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga fraudes financeiras no Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF).

Assembleia Legislativa aprova MP que amplia serviços oferecidos pelo Funben


A Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema) aprovou, em sessão plenária nesta quinta-feira (8), a Medida Provisória 558/2026, de autoria do Poder Executivo, que altera regras do Fundo de Benefícios dos Servidores do Estado do Maranhão (Funben). O deputado Neto Evangelista (MDB) foi o relator da matéria.

Entre as mudanças está a inclusão do serviço de obstetrícia entre as opções de atendimento oferecidas pelo Funben. A adesão será facultativa e exigirá uma contribuição adicional específica. Quem não optar pelo serviço não terá esse custo.

Segundo Neto Evangelista, inicialmente havia um prazo de carência para a adesão ao serviço. Após diálogo com o governo, foi retirada a carência para quem já contribui com o Funben há 270 dias. O parlamentar explicou que o interessado tem 30 dias para aderir ao plano para que não tenha carência. Passado este prazo, vai contar a carência de 270 dias.

A assistência à saúde passará a oferecer, de forma facultativa, o serviço de obstetrícia mediante contribuição adicional de 1%  sobre a base de cálculo do salário-contribuição, caso o segurado titular ou dependente opte pela cobertura.

A medida também atualiza as regras de carência e revoga dispositivos relacionados ao modelo anterior de atendimento. As mudanças buscam adequar as regras do Funben às necessidades dos servidores públicos estaduais e de seus dependentes, mantendo o equilíbrio financeiro do Fundo.

Universidade Federal Fluminense aciona PF após receber ameaças


A Universidade Federal Fluminense (UFF) acionou a Polícia Federal (PF) após receber denúncias de ameaças à instituição. Em nota, a universidade informa que se trata de conteúdos compartilhados em aplicativos de mensagens e redes sociais com ameaças tanto à integridade da comunidade acadêmica quanto ao patrimônio da instituição.

As mensagens falam, por exemplo, em incendiar a universidade e agredir estudantes em atos políticos.

Ao receber os conteúdos, a UFF diz que "encaminhou, imediatamente, todo o material à Polícia Federal e aos demais órgãos competentes, para a devida apuração dos fatos e adoção das medidas cabíveis".

A universidade diz ainda que, paralelamente, estabeleceu contato com a Secretaria de Gestão Integrada de Niterói para solicitar o reforço da segurança nos campi da universidade. Internamente, a Superintendência de Operações e Manutenção (Soma) também foi acionada para intensificar as medidas de segurança no âmbito da instituição.

"A UFF acompanha a apuração em articulação com os órgãos responsáveis e permanece à disposição para colaborar integralmente com as investigações. Seguimos atentos à situação, pautando nossa atuação pela agilidade e responsabilidade, para garantir a segurança de toda a comunidade universitária, a preservação da vida e a proteção do patrimônio público", diz nota divulgada pela universidade.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o reitor em exercício Fabio Passos disse que as ameaças começaram nessa quarta-feira (7). "Nossos estudantes têm feito manifestações pacíficas sobre a situação eleitoral atual e fazem essas manifestações dentro do direito constitucional", afirmou.

Incêndio na UFPE

A Polícia Federal também foi acionada para investigar um incêndio de grandes proporções que atingiu a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na noite dessa quarta-feira. 

Segundo a PF, o objetivo do inquérito policial é “apurar todas as circunstâncias e causas prováveis”. O reitor da instituição, Alfredo Gomes, estima que as chamas tenham causado prejuízo de R$ 100 milhões.

Da Agência Brasil

Pesquisa Vox: Lula tem 44,2% e Flávio Bolsonaro 42,7% no 2º turno


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estão tecnicamente empatados na disputa do segundo turno pela Presidência da República, segundo pesquisa Vox Brasil divulgada nesta sexta-feira (9).

Lula, candidato à reeleição, tem 44,2% das intenções de voto, e Flávio, 42,7%. A diferença de 1,5 ponto percentual fica dentro da margem de erro, de 2,15 pontos para mais ou para menos.

Votos brancos, nulos e eleitores que afirmam não escolher nenhum dos dois somam 3,4%. Outros 9,7% não souberam ou não quiseram responder, contingente que tende a ser decisivo na reta final da campanha.

Em votos válidos, Lula tem 50,86%, contra 49,14% de Flávio Bolsonaro.

A Vox Brasil ouviu 2.100 eleitores em todo o país, entre 5 e 7 de outubro, por meio de entrevistas presenciais em domicílio. A margem de erro é de 2,15 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi custeado pelo próprio instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09623/2026.

Com informações de O Estado de Minas

PF é acionada por suspeita de trama entre Vorcaro e aliados de Flávio Bolsonaro na eleição


Por Cleber Lourenço/ ICL Notícias

Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, do grupo Prerrogativas, apresentaram uma notícia de fato à Polícia Federal pedindo investigação urgente sobre uma possível articulação entre o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e pessoas ligadas à campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para interferir no segundo turno da eleição presidencial, marcado para o próximo dia 25, e prejudicar as investigações sobre o escândalo financeiro.

O documento, datado de quinta-feira (8), relata que um HD contendo depoimento atribuído a Vorcaro teria sido entregue a terceiros com acusações contra adversários políticos de Flávio, integrantes do governo Lula e ministros de Estado. 

Os advogados suspeitam que o material possa ser utilizado para atingir o presidente Lula às vésperas da votação, sem tempo suficiente para verificar as acusações ou apresentar respostas.

A representação, à qual o ICL Notícias teve acesso, afirma que as acusações não teriam respaldo em provas e fazem parte de uma estratégia para desviar o foco das investigações do Banco Master. Os próprios autores esclarecem, porém, que não tiveram acesso à gravação e pedem à PF que confirme sua existência, conteúdo e origem. Áudio com esse teor foi publicado nesta quinta-feira (8) pela site da revista Veja.

A suspeita ganhou relevância após a divulgação de que Vorcaro, preso preventivamente desde março, estaria negociando uma entrevista exclusiva com emissoras de televisão. Segundo a Folha de S. Paulo, intermediários do banqueiro procuraram a Globo, enquanto a Record também demonstrou interesse. A preferência seria pela emissora que oferecesse maior tempo de exibição. Qualquer gravação dentro da unidade prisional dependeria de autorização judicial.

Em declaração à Folha, Marco Aurélio, coordenador do Prerrogativas e integrante da coordenação da campanha de Lula, afirmou ter recebido informações de que Vorcaro teria sido estimulado a prestar um depoimento envolvendo o financiamento de um documentário sobre o presidente, dirigido pelo cineasta Oliver Stone.

O banqueiro teria recebido a promessa de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica após as eleições, enquanto seu pai, Henrique Vorcaro, seria libertado imediatamente.

O documentário Lula, dirigido por Oliver Stone, foi lançado em 2024. Marco Aurélio negou que a produção tenha recebido recursos de Vorcaro e afirmou que a suposta acusação buscaria estabelecer uma comparação com os repasses destinados ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

Flávio já é investigado por repasses de Vorcaro

A suspeita apresentada pelos advogados envolve uma relação financeira que já está sob investigação da Polícia Federal.

Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para apurar os repasses de Vorcaro à produção de Dark Horse. Flávio Bolsonaro foi incluído entre os investigados, assim como seu irmão Eduardo Bolsonaro.

A investigação teve origem em mensagens e áudios revelados pelo The Intercept Brasil, que mostraram Flávio negociando com o banqueiro um financiamento de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões, para o longa-metragem sobre seu pai.

Segundo as informações que motivaram o inquérito, cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos. A PF investiga o destino do dinheiro e se parte dos recursos foi utilizada para financiar atividades de aliados de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.

Flávio admitiu ter solicitado recursos para o filme, mas negou irregularidades e afirmou que os valores eram privados.

Na notícia de fato, os advogados sustentam que a relação financeira entre o candidato e o banqueiro precisa ser considerada na investigação da possível interferência eleitoral.

Para os autores, uma eventual articulação poderia ter dois objetivos: deslocar a atenção das investigações sobre os repasses do Master e divulgar acusações contra Lula e integrantes de seu governo em um momento decisivo da disputa presidencial.

Suspeitas sobre aposta eleitoral de Vorcaro já haviam sido reveladas

A possibilidade de Vorcaro estar apostando em uma mudança no cenário político para melhorar sua situação judicial já havia sido identificada por pessoas ligadas à investigação do Banco Master.

Em junho, o ICL Notícias revelou que pessoas ligadas à investigação desconfiavam que o banqueiro estaria prolongando as negociações de colaboração premiada enquanto apostava em uma vitória de Flávio Bolsonaro. Segundo os relatos obtidos pela reportagem, a avaliação atribuída a Vorcaro era de que a eleição do senador poderia ajudá-lo a deixar a prisão.

A desconfiança surgiu após tentativas frustradas de colaboração premiada. As propostas apresentadas pelo banqueiro foram rejeitadas por não trazerem informações consideradas relevantes o suficiente para justificar um acordo.

Em setembro, outra reportagem do ICL Notícias mostrou que uma possível ofensiva de Vorcaro contra integrantes do governo Lula era vista por fontes que acompanhavam o caso como uma tentativa de vingança e manipulação eleitoral.

A nova representação acrescenta a esse histórico a informação sobre a suposta circulação de uma gravação com acusações contra adversários de Flávio Bolsonaro. Os advogados querem esclarecer se existe alguma coordenação entre o banqueiro, seus intermediários e pessoas ligadas à campanha presidencial.

PF é instada a investigar origem da gravação e possíveis vínculos com campanha

A representação solicita que a Polícia Federal investigue a existência do suposto HD, identifique quem produziu e recebeu a gravação e reconstrua seu caminho até os possíveis destinatários.

Os advogados também pedem acesso aos registros de visitas, atendimentos e entrada de equipamentos eletrônicos na unidade prisional onde Vorcaro está custodiado, referentes aos últimos 90 dias. A intenção é verificar se alguma gravação foi produzida no local e de que maneira o material poderia ter saído do presídio.

Outra frente envolve os intermediários responsáveis pelas negociações com as emissoras de televisão. O pedido é para identificar essas pessoas, verificar se receberam pagamentos e apurar eventuais vínculos com integrantes, fornecedores ou financiadores da campanha de Flávio Bolsonaro.

Caso a gravação seja localizada, os advogados querem que seu conteúdo seja comparado aos depoimentos oficiais de Vorcaro e às propostas de colaboração premiada anteriormente rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.

A notícia de fato aponta a possibilidade de crimes como obstrução de investigação, denunciação caluniosa e divulgação de informações sabidamente falsas para influenciar o eleitorado. O enquadramento depende da comprovação dos fatos e da identificação dos responsáveis.

Os autores solicitam ainda que o caso seja comunicado ao ministro André Mendonça, relator das investigações do Banco Master no STF, e à Procuradoria-Geral Eleitoral, para avaliação de eventuais providências.

A representação ressalta que as diligências devem se concentrar na origem, produção e circulação do suposto material, preservando a liberdade de imprensa e o sigilo das fontes jornalísticas.

Moraes determina emissão de mandado de prisão contra Eduardo Bolsonaro


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (8) a expedição de um mandado de prisão contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos.

A medida foi determinada após o ministro mandar executar a condenação de Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. A pena foi definida no processo que trata do tarifaço do governo de Donald Trump contra as exportações brasileiras.

Moraes também determinou o cancelamento dos passaportes do ex-parlamentar.

Na prática, Eduardo não deve cumprir a pena enquanto estiver no exterior. O ex-deputado é aliado de Trump, e um eventual pedido de extradição dificilmente será cumprido pelo governo norte-americano.

Ao determinar as medidas, Moraes decretou o trânsito em julgado da ação penal em que Eduardo foi condenado pelo STF, ou seja, o fim da possibilidade de apresentação de recursos.

No mês passado, a Primeira Turma do Supremo rejeitou o recurso protocolado pela Defensoria Pública da União (DPU) para anular a condenação.

O ex-deputado não apresentou defesa particular e foi defendido pelo órgão.

Em junho deste ano, o colegiado concordou com a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e entendeu que há provas para concluir que o ex-deputado articulou o tarifaço dos Estados Unidos contra as exportações brasileiras para tentar evitar a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista.

Além disso, outras medidas, como a revogação dos vistos de ministros da Corte e do governo federal e a aplicação das sanções econômicas da Lei Magnitsky, também tiveram o mesmo objetivo, conforme o entendimento da Corte. 

Desde o ano passado, Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos e perdeu o mandato de parlamentar por faltar às sessões da Câmara dos Deputados.

Abandono e perda do cargo de escrivão 

Em setembro deste ano, o Ministério da Justiça e Segurança Pública demitiu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal, por abandono de cargo. 

A decisão, publicada na edição de 21 de setembro do Diário Oficial da União, tem como base processo administrativo disciplinar que concluiu pela ocorrência de faltas injustificadas por período superior a 30 dias consecutivos.

Segundo a portaria, a demissão teve por base a Lei nº 15.047, de 2024, que prevê a penalidade para casos de abandono de cargo. 

Eduardo Bolsonaro integrava o quadro de pessoal da Polícia Federal e estava afastado da função para exercer mandato eletivo na Câmara dos Deputados.

Da Agência Brasil

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Emendas parlamentares de Flávio Bolsonaro pagam empresas acusadas de cartel pela PF


Por Amanda Rossi, Artur Rodrigues e Tiago Mali

(Uol/Folhapress) – Emendas do senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, foram usadas para pagar empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeita de cartel, uma ONG considerada “inexistente” pela Receita Federal e investigada pelo TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro), além de um instituto indicado por um miliciano.

O senador teve mais de R$ 300 milhões reservados para suas emendas no orçamento federal desde 2020. O UOL rastreou as empresas e entidades contratadas pelos órgãos públicos que receberam esse dinheiro.

Procurado pela reportagem, Flávio afirmou não indicar as empresas que receberão os valores enviados por ele aos beneficiários.

Entidade ‘inexistente’

Em 2024, Flávio Bolsonaro destinou R$ 3,1 milhões para a atenção básica de saúde do município de Mesquita (RJ), governado pelo PL. Desses recursos, R$ 666 mil foram pagos para o Instituto de Medicina e Projeto (IMP), em agosto de 2025.

Em junho deste ano, a Receita Federal enquadrou o IMP na categoria “inexistente de fato”. Segundo documento do órgão, há “razões que evidenciam que a empresa foi constituída para prática de fraude fiscal, inclusive em proveito de terceiras empresas”.

O IMP está sob escrutínio do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) desde 2024. A entidade é contratada por diversos municípios do estado para gerir a saúde pública. Só Mesquita assinou contratos de mais de R$ 580 milhões com o IMP, entre 2019 e o final de 2024, segundo documentos consultados pelo UOL. Além dos recursos de Flávio, a reportagem identificou também emendas de 3 outros deputados, do PL, PSDB e PSD, usadas para pagar despesas do instituto em Mesquita.

Apesar do volume de recursos, o IMP não tem site desde 2021, os emails informados nos contratos não funcionam, o telefone registrado na Receita Federal não atende. Além disso, o presidente do IMP era um idoso, beneficiário de um programa social e morava de favor, como mostrou reportagem do G1, de 2023.

Em acórdão de 2025, o TCE-RJ apontou diversas suspeitas de irregularidades na relação de Mesquita com o IMP. Entre elas, a ausência de estudos técnicos realizados pela prefeitura antes da transferência da gestão da saúde pública municipal para o instituto e indícios de conluio na concorrência vencida pelo IMP.

O acórdão registrou ainda que uma das pessoas que assinavam documentos da entidade estava morta desde 2017. O uso dos dados da pessoa falecida fez com que a Prefeitura de Mesquita decretasse, em abril deste ano, que o IMP não poderá assinar novos contratos com a cidade por dois anos.

No processo administrativo que moveu contra o IMP, a Prefeitura de Mesquita informou que a entidade “não apresentou defesa escrita, não constituiu advogado e não manifestou interesse na produção de provas”.

Em outro processo, o TCE-RJ identificou que Mesquita pagava uma taxa de lucro de 9% ao IMP, o que é irregular, e também apontou que a organização foi contratada por meio de pregão incompatível com serviço de saúde. O tribunal determinou a devolução de R$ 32 milhões pelo ex-prefeito da cidade, Jorge Miranda (PL), o ex-secretário de saúde e o próprio IMP.

O UOL tentou contato com o IMP por telefone e email, sem sucesso. A Prefeitura de Mesquita afirmou que a mesma empresa prestou serviço a outros municípios do estado do Rio de Janeiro, que rescindiu os contratos e que a entidade foi condenada a pagar multa de R$ 3 milhões. Leia abaixo neste texto a íntegra da resposta.

Cartel dos coletes

Emendas do senador também foram usadas em despesas do Governo do Rio de Janeiro com empresas na mira de operação da Polícia Federal sob suspeita de fraude em licitações. Os desembolsos são relacionados a equipamentos de proteção balística para a Polícia Militar do Rio.

Alvo na investigação da PF, a Glágio do Brasil recebeu R$ 569 mil entre maio e junho em convênios com emendas de Flávio Bolsonaro. A maior parte do dinheiro veio de um convênio no qual também entraram recursos de Daniela do Waguinho (Republicanos) e Hélio Lopes (PL). O dinheiro é destinado a um projeto que prevê modernização da corporação para a proteção de policiais.

A Inbra-Tecnologia, parte de um segundo grupo citado na operação da PF, é outra beneficiária das emendas de Flávio. A empresa teve pagamento de R$ 1,1 milhão no mesmo convênio da Glágio. Uma nota de empenho publicada pelo Ministério da Justiça identifica a emenda do senador em uma compra de 342 capacetes balísticos na empresa.

A Glágio e uma empresa do grupo Inbra foram alvos de busca na Operação Perfídia, em setembro de 2023. A PF apontou suspeitas de divisão de contratos públicos de proteção balística, com alternância de vitórias por tamanho dos equipamentos e por região do país.

Na intervenção federal de 2018, as duas foram contratadas para fornecer coletes à Polícia Militar e à administração penitenciária do Rio, em negócios nos quais os investigadores identificaram indícios de conluio.

Durante a investigação da Polícia Federal sobre fraude na compra de coletes, foi encontrada mensagem de um representante da Glágio dizendo que o general Walter Braga Netto “prometeu interferir” para que a aquisição fosse sacramentada.

O autor da mensagem é um oficial da reserva que a PF afirma ter sido contratado em 2019 para “fazer lobby junto ao alto escalão do Governo” e reverter a suspensão do processo de aquisição dos coletes.
Braga Netto foi ministro de Jair Bolsonaro de 2020 a 2021 e seu candidato a vice em 2022. Hoje, está preso, condenado por tentativa de golpe de Estado. A apuração que envolve as empresas corre sob sigilo.

O UOL procurou a PM do Rio, mas não teve resposta até a publicação deste texto. Procuradas por email, a Glágio e o grupo Inbra não responderam.

Os demais deputados que também enviaram emendas para os convênios citados foram procurados, mas não enviaram posicionamento até a publicação desta reportagem.

Miliciano, Vasco e amigo

Outros casos revelados recentemente mostram mais suspeitas sobre entidades e empresas que receberam recursos de emendas de Flávio Bolsonaro.

Uma emenda de Flávio no valor de R$ 4 milhões, destinada em 2025 a um projeto esportivo ligado ao Vasco da Gama, entrou na mira da CGU (Controladoria Geral da União), segundo revelou o colunista do UOL Juca Kfouri.

A reportagem apontou que R$ 684 mil – o equivalente a 93% dos gastos no projeto – foram destinados a um único fornecedor, uma microempresa individual registrada em uma sala comercial em Sapopemba, na periferia da zona leste de São Paulo.

Os valores pagos à empresa, chamada Luiz Armando Marcondes de Oliveira ME, foram referentes à compra de materiais esportivos, entre março e maio deste ano.

Em outro episódio, o senador destinou R$ 200 mil ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o IFOP, para um projeto esportivo em Taquara, no Rio. O UOL já havia reportado indícios de irregularidades na destinação em setembro de 2025.

Robson Calixto, um miliciano conhecido como Peixe e condenado no caso da morte da vereadora Marielle, tratou da liberação das emendas com uma assessora de Flávio, como mostram mensagens reveladas pelo Estadão.

Com outra emenda de Flávio, destinada ao município de Resende (RJ), foram feitos nove pagamentos à Valle Sul, no total de R$ 6,61 milhões, para obras de revitalização do aeroporto municipal. A revista piauí revelou que máquinas da empresa foram flagradas operando dentro de uma propriedade privada pertencente a Renato Araújo, um amigo do senador.

O que diz Flávio Bolsonaro

Leia a nota do senador:

“Sobre a destinação de emendas parlamentares, nem o senador ou qualquer assessor do gabinete indicam empresas para os beneficiários. A atuação do gabinete limita-se às atribuições institucionais relacionadas à indicação das emendas, de acordo com a legislação e critérios de cada ministério.
As decisões e procedimentos relativos à contratação são de responsabilidade dos respectivos beneficiários, observadas as normas legais e os procedimentos aplicáveis. Eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle, como determina a lei.”

O que diz a Prefeitura de Mesquita

“A Prefeitura de Mesquita informa que a empresa citada firmou contratos em diversos municípios do Estado do Rio de Janeiro para execução do mesmo objeto. Diante dos apontamentos relativos ao Instituto de Medicina e Projeto (IMP), a Prefeitura de Mesquita instaurou processo administrativo de responsabilização. Ao final da apuração, os contratos foram rescindidos, e a entidade foi condenada ao pagamento de multa de R$ 3 milhões e declarada inidônea pelo período de dois anos. O caso também foi encaminhado ao Ministério Público.

A continuidade temporária dos serviços ocorreu exclusivamente para evitar a interrupção da assistência à população durante a transição contratual. Assim como ocorre com as emendas destinadas à saúde da mesma natureza de execução enviadas por diversos parlamentares (Lindbergh Farias, Flávio Bolsonaro, Enfermeira Rejane, Daniel Soranz, Laura Carneiro, Marcos Soares, Dimas Gadelha, entre outros), os recursos foram repassados ao Fundo Municipal de Saúde e aplicados no custeio dos serviços, cujos dados são públicos e estão disponíveis no Portal de Transparência. A escolha da execução do serviço compete ao município, em conformidade com as regras estabelecida pelo Governo Federal, sem participação do parlamentar.

As contratações da área da saúde observam rigorosamente a legislação vigente, com análise dos órgãos jurídicos e de controle do município e cumprimento dos procedimentos de planejamento e fiscalização aplicáveis. Os contratos, pagamentos e demais atos administrativos estão disponíveis no Portal da Transparência.”

PGR e PF suspeitam de adulteração ou gravação ilegal de áudio de Vorcaro para uso eleitoral contra Lula

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