terça-feira, 6 de outubro de 2026

Mendonça ordena exclusão de posts falsos afirmando que Lula jogou bandeira do Brasil no chão


O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que plataformas digitais retirem do ar publicações que afirmam falsamente que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) jogou a bandeira do Brasil no chão após votar no primeiro turno das eleições, no domingo (4), em São Bernardo do Campo (SP).

A decisão, publicada na segunda-feira (5), estabeleceu prazo de 24 horas para a remoção de 16 posts. As imagens completas do episódio mostram que Lula enrolou a bandeira e a entregou a uma pessoa que estava no local, sem que o símbolo nacional fosse jogado ao chão.

Ao analisar o material, Mendonça considerou que as publicações transformaram uma interpretação do episódio em uma afirmação factual incompatível com as imagens.

“Mostra-se adequada, portanto, a remoção apenas das publicações especificamente individualizadas em que se reproduz a afirmação factual de que Luiz Inácio Lula da Silva jogou, atirou ou deixou a bandeira do Brasil no chão”, afirmou o ministro.

Mendonça ressaltou, porém, que a determinação não abrange críticas ou opiniões sobre a maneira como Lula manuseou a bandeira. Segundo ele, comentários que afirmem que o presidente amassou o símbolo, o tratou de forma inadequada ou demonstrou desrespeito ao país permanecem no campo da interpretação e do juízo político.

André Mendonça
André Mendonça. Sessão Plenária do TSE em 29/09/2026. (Foto: Leobark Rodrigues/Secom/TSE)

“Esclareço expressamente que a presente decisão não alcança publicações que se limitem a afirmar que o candidato amassou a bandeira, que a manuseou de forma inadequada ou que seu comportamento representaria desrespeito ao símbolo nacional ou ao País”, escreveu.


Com informações do ICL Notícias

CIA planta histórias pró-Flávio para influenciar eleição, diz ex-agente dos EUA

 

Jamil Chade/ ICL Notícias

A CIA estaria agindo nos bastidores da eleição no Brasil, plantando histórias para favorecer Flávio Bolsonaro (PL) e criar uma narrativa positiva para o senador.

As revelações são de John Kiriakou, ex-agente da CIA e que se tornou uma espécie de celebridade nos últimos anos. No começo da semana, ele foi às redes sociais para denunciar o que ele aponta ser um indício “crível” do envolvimento da agência de espionagem na eleição brasileira.

Nesta terça-feira, em seu podcast, ele deu mais detalhes. “Ouvi um rumor de um ex-colega meu da CIA, neste fim de semana,  que a agência está ativamente trabalhando nos bastidores para apoiar Bolsonaro”, afirmou.

“E a forma que estão agindo é plantando histórias pro-Bolsonaro tanto na imprensa brasileira como imprensa internacional”, alegou.

Sem apresentar provas, ele foi cuidadoso em dizer que “não sabe” se essa versão é verdadeira. Mas pondera que a atitude vai na linha da atuação da agência ao longo de anos.

“Há uma longa história do envolvimento da CIA em eleições no exterior, controlando a narrativa midiática”, disse.

Ele destaca que muitos na imprensa brasileira saíram ao apoio de Bolsonaro. “Isso apesar do fato de que a presidência de Jair Bolsonaro ter sido um erro atrás de erro”, afirmou.

O ex-agente destacou como o ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão, citando supostamente uma atitude “incrivelmente corrupta”.

Para Kiriakou, as projeções para o segundo turno não são favoráveis para Luiz Inácio Lula da Silva e indicou que a direita já obteve uma das maiores vitórias de sua história no Brasil. “Lula deve perder a eleição e acho que o jovem Bolsonaro vai perdoar o pai”, estimou.

Ele também destacou como Donald Trump já endossou a candidatura de Flávio e admitiu como isso seria uma “violação das regras internacionais”.

No início da semana, ele escreveu nas redes sociais que esteve com Lula há três anos. Nesta terça-feira, ele explicou que foi um assessor do presidente que entrou em contato, para que Lula pudesse conversar sobre transparência no governo.

Na conversa, segundo o ex-agente, um dos temas foi a violência policial no governo de Jair Bolsonaro. O americano afirmou que sugeriu que Lula lidasse com essa realidade e que isso teria levado o setor policial a se voltar contra ele.

Quem é o agente?

Em 2013, o ex-agente da CIA declarou-se culpado por revelar o nome de um agente infiltrado, no primeiro processo desse tipo em 27 anos. Kiriakou trabalhou para a CIA entre 1990 e 2004, foi condenado a 30 meses de prisão em um tribunal federal, como parte de um acordo de confissão.

Ele admitiu ter revelado a um repórter a identidade de um oficial infiltrado que participou de interrogatórios rigorosos de supostos membros da Al-Qaeda, mantidos em centros de detenção secretos da CIA.

Kiriakou ganhou destaque na mídia em 2007, durante a presidência de George W. Bush, ao afirmar em uma entrevista à rede de TV ABC que o *waterboarding* — uma técnica que simula o afogamento — havia sido utilizado contra um detento de Guantánamo chamado Abu Zubaida.

O diretor da CIA, David Petraeus, divulgou um comunicado saudando o acordo de confissão com Kiriakou, embora outras quatro acusações tenham sido retiradas. O caso “representa uma vitória importante para a nossa agência, para a nossa comunidade de inteligência e para o nosso país”, disse Petraeus.

Aquela foi foi a primeira vez em 27 anos que alguém foi considerado culpado por revelar o nome de um agente infiltrado.

O fim de uma era na política brasileira do clã Sarney


A trajetória da família começou ainda na década de 1950 com José Sarney, que construiu uma das maiores dinastias políticas do país. Ele foi governador do Maranhão, senador, presidente do Congresso Nacional e presidente da República.

Ao longo de todas essas décadas, o sobrenome se manteve no poder com a eleição de seus filhos e netos, como Roseana Sarney, Sarney Filho e Adriano Sarney, que sempre garantiram vagas no Congresso Nacional ou no governo estadual.

Mas o resultado das urnas neste domingo, 4, marcou uma virada histórica. Sem conseguir eleger novos representantes ou reeleger os atuais em 2026, a família perde o seu espaço oficial na política brasileira.

Campanha de Lula mira abstenção, Nordeste, idosos e prepara reforço nas redes


Por Cleber Lourenço/ ICL Notícias

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma reorganização para o segundo turno com foco na redução da abstenção, na aproximação com o eleitorado idoso e no reforço da atuação nas redes sociais. O plano também passa por ampliar a vantagem no Nordeste, recuperar votos em São Paulo e Minas Gerais e levar Lula ao Amazonas, estado que não visitou durante o primeiro turno.

Segundo apurou o ICL Notícias, integrantes mais próximos do presidente continuavam reunidos perto da meia-noite desta segunda-feira (5), depois do encontro ampliado com aliados em Brasília, para definir os rumos da campanha contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Parte das decisões deve ser apresentada nesta terça-feira (6).

O encontro ampliado começou por volta das 18h e reuniu ministros, dirigentes partidários, governadores, senadores e candidatos que disputaram as eleições de domingo. Depois dessa etapa, as discussões prosseguiram com um grupo mais próximo do presidente.

Um dos principais focos definidos para os próximos 20 dias é a busca pelos eleitores que não compareceram no primeiro turno. A abstenção chegou a 21,08%, o equivalente a 33,4 milhões de pessoas e o maior percentual na primeira etapa de uma eleição presidencial desde 1998.

Durante a reunião, Lula afirmou que a própria campanha precisa entender por que tantos eleitores não se sentiram estimulados a votar e trabalhar para levá-los às urnas no segundo turno.

“Possivelmente tem uma causa: desinteresse. E a responsabilidade é nossa. É devolver o interesse para ele de participar do processo eleitoral”, afirmou.

Outro público que deverá receber atenção específica é o eleitorado idoso. A campanha já discutia uma estratégia para esse segmento no primeiro turno, mas o tema acabou perdendo espaço. Agora, aliados defendem que Lula, aos 80 anos, estabeleça uma comunicação mais direta com eleitores da mesma faixa etária e amplie a presença de assuntos de interesse desse público na campanha.

Nordeste terá meta de ampliar vantagem

A campanha também definiu prioridades diferentes para cada região. No Nordeste, onde Lula concentra sua maior força eleitoral, a meta é ampliar a vantagem e tentar alcançar um patamar próximo de 70% dos votos na região.

Governadores, senadores e outras lideranças deverão intensificar as agendas e a mobilização nos estados. No Ceará, por exemplo, José Guimarães afirmou que a intenção é elevar a votação de Lula de 63% para 70%. No Piauí, o governador Rafael Fonteles (PT) estabeleceu como objetivo passar de cerca de 71% para 80%.

A estratégia será diferente em São Paulo. No maior colégio eleitoral do país, a campanha pretende não apenas buscar quem deixou de comparecer às urnas, mas disputar diretamente eleitores que votaram em outros candidatos para reduzir a vantagem de Flávio.

Minas Gerais será outro foco. A avaliação é que Lula precisa melhorar seu desempenho nos dois principais colégios eleitorais do Sudeste para ter condições de virar a disputa nacional. Durante a reunião, foi discutido um plano específico para elevar a votação do presidente nos dois estados.

O Sudeste preocupa porque Lula perdeu mais de 5 milhões de votos na região na comparação com o primeiro turno de 2022. Para integrantes da campanha, não será suficiente apenas aumentar a vantagem onde o presidente já venceu: será necessário diminuir a diferença nos territórios em que Flávio saiu na frente.

Lula deve ir ao Amazonas

Outra medida discutida é uma viagem de Lula ao Amazonas. A demanda foi apresentada pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), que chamou a atenção para o fato de o presidente não ter visitado o estado durante o primeiro turno.

A ideia é que Lula vá ao Amazonas para reforçar a campanha de Omar Aziz (PSD), que disputa o segundo turno para o governo estadual contra Maria do Carmo (PL).

A viagem faz parte de uma estratégia mais ampla de aproveitar os palanques estaduais que continuam ativos. Lula também pretende visitar outros estados onde aliados disputam o segundo turno e usar essas agendas para reforçar simultaneamente sua própria campanha presidencial.

Redes devem levar eleitor até Lula

A comunicação digital foi outro ponto importante da reunião. Segundo apurou o ICL Notícias, Lula deixou claro que sua preferência continua sendo pelo corpo a corpo e pelo contato direto com o eleitor, mas não descartou as sugestões apresentadas por Rafael Fonteles para ampliar sua presença nas redes.

Fonteles foi reeleito no Piauí com cerca de 70% dos votos válidos e relatou ao presidente que atribui boa parte de seu desempenho ao investimento feito pela campanha na comunicação digital.

Uma das ideias é usar as próprias redes para potencializar o modelo de campanha preferido por Lula. A intenção é deixar o público mais informado sobre onde o presidente estará e compartilhar com maior frequência sua localização e suas próximas agendas, facilitando a aproximação dos eleitores e aumentando a participação nos atos de rua.

A proposta, portanto, não é substituir o corpo a corpo pelas redes, mas fazer com que uma estratégia alimente a outra. A presença digital serviria também para ampliar o alcance das agendas presenciais e avisar o eleitor onde e quando poderá encontrar Lula.

Fonteles sugeriu ainda aumentar a produção de conteúdo durante as viagens e fazer mais selfies com eleitores, identificando os locais onde as imagens foram feitas. Lula respondeu que prefere o contato pessoal, mas não rejeitou a ampliação da presença digital.

O próprio presidente reconheceu que explorou pouco alguns meios durante o primeiro turno. “Vou ter que fazer mais rádio, vou ter que fazer mais selfie, vou ter que conversar mais”, afirmou.

A tendência é que Lula continue concentrado nas agendas presenciais enquanto um grupo da campanha fica mais dedicado à estratégia para as redes sociais.

O funcionamento das plataformas também entrou nas discussões. Participantes relataram uma avaliação de que os algoritmos estariam favorecendo a circulação de conteúdos relacionados a Flávio e dificultando a distribuição das mensagens petistas. A questão foi levantada por Luizianne Lins (Rede-CE), eleita para o Senado.

Além da mobilização territorial e digital, a campanha pretende intensificar o contraste entre os dois candidatos. Participantes defenderam mostrar ao eleitor quais políticas poderiam estar em risco em uma eventual vitória de Flávio. A valorização real do salário mínimo foi um dos exemplos citados. Lula também afirmou que pretende explorar o risco de o Brasil voltar ao mapa da fome.

Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Apesar da diferença, o presidente disse aos aliados que considera a disputa aberta e pretende aumentar as agendas de rua, participar dos debates e intensificar a comunicação com o eleitorado.

A divisão mais detalhada das tarefas e das frentes de atuação deve começar a ficar clara nesta terça-feira, depois de uma segunda-feira em que as discussões sobre os rumos do segundo turno avançaram até perto da meia-noite.

Representação de parlamentares negros segue baixa, diz pesquisadora


A redução no número de parlamentares pardos e pretos de 139 para 135 na Câmara dos Deputados tem um significado que vai além dos números, para a cientista política Evelyn Apolinária.

Segundo a pesquisadora e professora do Centro Universitário de Brasília (Ceub), o dado mais relevante não é a perda de quatro cadeiras, mas sim a sub-representação persistente. 

“Os negros são cerca de metade das candidaturas à Câmara e pouco mais da metade da população, mas ocupam pouco mais de 25% das cadeiras”, lamentou Evelyn.

Dos 135 pretos e pardos eleitos neste domingo (4), 77 foram reeleitos. Ela considera que os recursos de campanha, o acesso ao financiamento e as estruturas partidárias seguem desiguais.

“As regras de incentivo, como a distribuição proporcional dos fundos, não bastaram para reduzir essa distância”, aponta. 

Racismo

A agremiação partidária que mais elegeu parlamentares negros foi a federação formada pelos partidos União Brasil e Progressistas, com 32 cadeiras ou 23,7% do total.

Doutoranda na Universidade de Brasília (UnB), Evelyn Apolinária pontua que a representação de raça não garante unicidade na agenda legislativa no que diz respeito ao racismo.

 “O número de parlamentares negros não diz, por si só, nada sobre a orientação ideológica de cada um. Apenas a representação por raça e cor não garante uma agenda una e coesa nessa questão.” 

A pesquisadora contextualiza que, na literatura acadêmica sobre representação, a presença de um grupo não garante a defesa dos seus interesses, que podem ser, inclusive, variados.

“A atuação antirracista no Legislativo costuma se concentrar em partidos de esquerda e centro-esquerda”. 

Congresso à direita

Na avaliação dela, o Congresso mais deslocado à direita tende a reduzir a agenda de novos projetos de combate ao racismo ou de ampliação de políticas afirmativas e orçamento para a pasta da igualdade racial. 

Haveria fatores, segundo ela, que contribuiriam com a incerteza do que deve ser a produção desses parlamentares em relação ao tema da igualdade racial. Isso inclui, por exemplo, o resultado do segundo turno presidencial, que deve definir a relação do Executivo com o Legislativo. 

Outro fator que importaria nesse cenário seria o papel da bancada negra e da presença no colégio de líderes, que pode ajudar a manter esses temas na agenda mesmo com uma maioria não tão favorável.

“Eu falaria em risco de menor prioridade e de maior conflito, não em ausência garantida de pautas”, diz a pesquisadora.

Com informações da Agência Brasil 

Cresce número de mulheres eleitas para o Congresso Nacional


A bancada feminina na Câmara dos Deputados e no Senado Federal será a maior da história. Na Câmara, o número de mulheres eleitas passou de 90 para 109, um crescimento de 21%.

O resultado ocorreu apesar de uma queda no número de candidatas. Em 2022, 3.317 mulheres concorreram ao cargo de deputada federal. Em 2026 foram 2.820, uma diminuição de 24%.

Para o Senado Federal, os brasileiros elegeram doze mulheres entre as 54 vagas em disputa – maior número desde a redemocratização. Em 2018, quando também foram renovados dois terços da Casa, oito mulheres foram eleitas.

O Brasil tem, a cada legislatura, 81 senadores. Cada um deles tem um mandato de oito anos. A cada quatro anos é renovado um terço ou dois terços da Casa. Com o resultado, o número de senadoras passará dos atuais quinze para dezoito integrantes no ano que vem.

Longe da equidade

Apesar dos avanços, as mulheres seguem como minoria nas duas Casas Legislativas. Na Câmara, a bancada feminina vai representar 21% dos 513 deputados da próxima legislatura. A federação composta por PT, PCdoB e PV é a que elegeu a maior parcela de mulheres: 34 das 109 eleitas.

Já a quantidade de senadoras a partir do ano que vem chegará a 22,2% das 81 cadeiras. As eleitas neste ano tomam posse em fevereiro, com mandatos até 2035.

O Distrito Federal elegeu 2 mulheres. Como já tem uma representante, o DF passa a ser a única unidade da Federação com 3 senadoras mulheres. Já o Piauí é o único estado que nunca elegeu uma mulher senadora.

Pautas para mulheres

O aumento na quantidade de parlamentares eleitas também não se traduz, necessariamente, em políticas voltadas para as mulheres.

Essa é a avaliação da professora de Ciência Política da Universidade de Brasília Flávia Biroli. Segundo ela, a medida que o número de mulheres nos cargos eletivos aumenta, aumenta também a diversidade de pensamento dessas mulheres e algumas vão defender perspectivas patriarcais, não igualitárias.

“Você pode ter mulheres eleitas representando visões econômicas que são prejudiciais pra grande maioria das mulheres. Por exemplo, você pode ter uma mulher eleita, como é o caso da senadora Bia Kicis, que votou contra a lei de igualdade salarial entre mulheres e homens." 

Mulheres negras

A quantidade de mulheres negras eleitas também aumentou. Ao menos na Câmara dos Deputados. Um levantamento feito pela Organização Mulheres Negras Decidem contabilizou a eleição de ao menos 15 mulheres negras para deputadas federais em 2026 – aumento de 66,6% em relação a 2022, quando foram eleitas 9 deputadas negras.

Coordenadora política da organização, Tainah Pereira comemora o avanço.

“É muito interessante perceber também que a imensa maioria dessas mulheres negras que estão hoje na Câmara e que se elegeram para a próxima legislatura são mulheres jovens. Então, a gente vê uma renovação feminina e negra e acho que a gente pode ter boas expectativas em relação à atuação dessas lideranças que conseguiram chegar agora”.

Já no Senado, houve perda. Das 12 senadoras eleitas, nenhuma é negra. Eliziane Gama (PT), exerce atualmente o cargo de senadora pelo Maranhão. Ela é autodeclarada negra, mas não foi reeleita.

Outras duas candidatas negras também perderam a disputa. Mariana Silva (Rede) concorria a uma vaga por São Paulo. Ela já foi senadora pelo Acre por dois mandatos entre 1995 e 2011.

A outra foi Benedita da Silva (PT), que concorria pelo Rio de Janeiro. Benedita foi a primeira mulher negra eleita a ocupar uma cadeira no Senado em 1998. Até hoje apenas 4 mulheres negras foram senadoras. 

Com informações da Agência Brasil

Renovação da Câmara federal chegou a 35%; veja nova composição da Casa


Com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Câmara dos Deputados confirmou que entre os 513 deputados federais eleitos neste domingo (4), 183 vão exercer seu primeiro mandato. Esse número representa uma taxa de renovação de 35,67% dos integrantes da Casa. Os parlamentares representarão os estados e o Distrito Federal na 58ª legislatura, de 1º de fevereiro de 2027 a 31 de janeiro de 2031.

Enquanto isso,  301 deputados federais foram reeleitos, o que representa 58,6% do total de parlamentares eleitos titulares nas eleições de outubro de 2022 ou os suplentes que foram efetivados como titulares do cargo, ao longo desta 57ª legislatura.

Há ainda 29 ex-deputados federais em legislaturas anteriores à atual que voltarão à Câmara.

De acordo com a Câmara dos Deputados, o índice de novos deputados (35,6%) mantém a média de oxigenação da Casa, em relação à eleição anterior, de 2022 (39,3%).

Pretos e pardos eleitos

Os eleitos autodeclarados pretos e pardos conquistaram 135 cadeiras da Câmara dos Deputados, o que corresponde a 26,3% do total de 513 deputados federais da próxima legislatura. O número representa o encolhimento de 2,9% da bancada negra, em relação aos parlamentares federais pretos e pardos eleitos em 2022, que somou 139.

No recorte de raça e cor, a base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou, ao todo, 10.206 candidaturas de pessoas negras para todos os cargos eletivos do pleito de 2026, que correspondem a 49,64% do total.

Indígenas

Entre os eleitos autodeclarados indígenas, apenas três candidatos garantiram mandato de quatro anos na Câmara dos Deputados para seguir em defesa dos povos originários e de seus territórios. São eles: o deputado reeleito Paulo Guedes (PT-MG), com 126.891 votos; a deputada Juliana Cardoso (PT-SP), reeleita com 111.904 votos; e a primeira ministra dos Povos Indígenas, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sônia Guajajara (PSol-SP), deputada federal com reeleita 54.207 votos (por quociente eleitoral).

Com este número, a bancada indígena minguou para aproximadamente 0,58% dos 513 deputados, na comparação com a eleição de 2022, quando cinco indígenas tinham sido eleitos para a Câmara. Antes deles, apenas Mário Juruna (PDT-RJ) tinha exercido o cargo, entre 1982 e 1986; e em 2018, Joenia Wapichana (Rede-RR), conseguiu uma vaga na Câmara, tornando-se a primeira mulher indígena a ser eleita para esta função.

Ao todo, a Justiça Eleitoral registrou 73 candidaturas de pessoas indígenas a deputado federal.

Gênero

Neste domingo (4), 108 mulheres foram eleitas para a próxima legislatura da Câmara dos Deputados, o que torna esta a maior bancada feminina da Casa de todos os tempos.

O número representa aumento de 18,68% em comparação com 2022, ou seja, 17 mulheres a mais do que as 91 eleitas no pleito anterior.

A advogada e professora doutora de Direito Constitucional Damares Medina comemora o número histórico de mulheres, mesmo que estas tenham posicionamentos políticos distintos em relação a pautas prioritárias.

“Porque não importa, cada uma a seu modo e à sua forma, traz a mensagem de que lugar de mulher é onde é ela quiser. Não vou submeter uma representante popular eleita a um escrutínio hermenêutico que o homem não é submetido.”

Partido

O Partido Liberal (PL) elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados e ampliou a bancada para 121 deputados na próxima legislatura. São 24 a mais que na eleição anterior, considerando projeção feita com base em 99,9% dos votos apurados, quando não há mais possibilidade de alteração do resultado.

A profissional do Direito explica o peso de ter a maior bancada da Casa. “É importante porque cada cadeira é poder. Cada uma delas significa influência, o jogo e vetores do que vai definir como a autoridade no Congresso Nacional é distribuída”, disse Damares.

A segunda colocada entre as bancadas foi a Federação Brasil da Esperança, formada pelas seguintes siglas: Partido dos Trabalhadores, Partido Comunista do Brasil e Partido Verde (PT-PCdoB-PV), com 88 deputados – seis a mais que na última eleição.

Confira a distribuição das bancadas partidárias na Câmara dos Deputados eleita:

  • PL: 121 deputados;
  • Federação Brasil da Esperança (PT / PCdoB / PV): 88;
  • Federação União Progressista (União / PP): 87;
  • PSD: 43;
  • Republicanos: 41;
  • MDB: 36;
  • Pode (Podemos): 27;
  • PSB: 15;
  • Federação PSol / Rede Sustentabilidade: 15;
  • PSDB / Cidadania: 11;
  • Novo: 10.
  • PRD / Solidariedade: 7
  • PDT: 6
  • Avante: 5
  • Missão: 1

A advogada ouvida pela Rádio Nacional explica que a formação de grandes blocos partidários garante prioridades. “Uma vez formados, esses blocos têm imenso poder na distribuição de orçamento, na distribuição de emendas parlamentares.”

Damares Medina também interpreta o recado dado pelos eleitores, neste domingo, ao eleger mais parlamentares do espectro conservador no Congresso, em um deslocamento radical entre os campos de poder opostos. Ela identifica que este não é um movimento recente.

“Se analisarmos a série histórica, desde 1988, na Constituição [Federal], podemos identificar que, pouco a pouco, o espectro político esquerdo foi perdendo a disputa ideológica, o debate intelectual”, avaliou advogada constitucionalista.

Mais votados

A eleição também produziu novos recordes de votação. O deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), de 30 anos, superou 3,11 milhões de votos e se tornou o deputado mais votado da história do país. Nikolas superar os próprios números da eleição passada (2022), quando foi o deputado mais votado do país, com 1,47 milhão de votos.

Em segundo lugar entre os mais votados para a Câmara, com 3.038.438 de votos, chegou Lucas Pavanato (PL), de 28 anos que, atualmente, é vereador do município de São Paulo e youtuber. A marca é quase o dobro da segunda colocada, a deputada Erika Hilton (PSol-SP), reeleita com 1.596.472 votos. A parlamentar que, atualmente, preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, foi a recordista de votos da bancada feminina.

Com informações da Agência Brasil

Lula diz em reunião que essa não é a pior eleição que já enfrentou


Por Cleber Lourenço/ICL Notícias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (5), durante reunião com aliados em Brasília, que a campanha terá os próximos 20 dias para levar ao eleitorado temas que, segundo ele, deveriam ter sido explorados ao longo do ano contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A declaração foi confirmada ao ICL Notícias por dois integrantes presentes no encontro.

“São 20 dias que a gente vai ter para colocar para fora aquilo que a gente deveria ter colocado o ano inteiro, tentando tirar um possível herdeiro do fascismo desse país”, afirmou Lula, segundo os relatos ouvidos pelo ICL Notícias.

A fala foi feita um dia depois de Flávio terminar o primeiro turno à frente do presidente. O candidato do PL recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 53.876.617, ou 45,16%. Os dois voltam às urnas em 25 de outubro.

Ao falar aos aliados sobre o resultado, Lula também reconheceu a frustração por não ter encerrado a disputa no primeiro turno.

“Fiquei decepcionado. Toda vez fico decepcionado, porque todas as vezes quero ganhar no primeiro turno”, afirmou.

Lula disse, porém, que esta não teria sido a pior situação eleitoral que já enfrentou. O presidente lembrou a eleição de 1989, quando chegou ao segundo turno contra Fernando Collor depois de partir de uma diferença muito maior na primeira votação.

Lula e Collor
Lula e Collor em debate da Band, mediado por Marília Gabriela – Foto: Reprodução/Alesp

Naquele ano, Collor terminou o primeiro turno com 30,47% dos votos válidos, enquanto Lula teve 17,18%. No segundo turno, Lula encurtou a distância e chegou a 46,97%, mas Collor venceu com 53,03%.

A eleição de 1989 também ficou marcada pela atuação da Globo na disputa. A própria emissora reconhece como um erro a edição exibida pelo Jornal Nacional do último debate entre os candidatos daquele ano. A reportagem foi acusada de selecionar os melhores momentos de Collor e os piores de Lula e deu ao candidato do PRN mais tempo na edição. Depois do episódio, a Globo decidiu deixar de editar debates políticos.

Anos depois, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, principal executivo da Globo à época, relatou que deu orientações para a apresentação de Collor no debate. Segundo ele, foram colocadas diante do candidato pastas que simulavam conter denúncias contra Lula, mas estavam vazias ou tinham papéis em branco. Boni também disse que foi usada glicerina para simular suor no rosto de Collor. O ex-presidente negou posteriormente a versão apresentada pelo executivo.

Roberto Marinho, então dono das Organizações Globo, também assumiu publicamente seu apoio a Collor. Em entrevista ao Jornal da Tarde em 1992, reproduzida pelo Atlas Histórico da FGV, afirmou: “Sim, nós promovemos a eleição do Collor”.

A comparação com 1989 foi feita por Lula diante dos aliados ao tratar da disputa que terá pela frente nas próximas três semanas. Em 2026, a diferença entre Flávio e Lula no primeiro turno foi de 2.227.651 votos.

Reunião discute estratégia para o segundo turno

O encontro desta segunda-feira foi convocado para reorganizar a campanha após o resultado do primeiro turno. Lula chamou governadores, senadores, candidatos eleitos e aliados que ainda disputarão segundo turno nos estados para uma reunião em Brasília. O objetivo anunciado antes do encontro era unir as forças políticas da campanha e discutir a estratégia para a votação de 25 de outubro.

Entre os nomes presentes estavam os governadores Jerônimo Rodrigues (PT-BA), Elmano de Freitas (PT-CE), Lucas Ribeiro (PP-PB) e Rafael Fonteles (PT-PI), além dos senadores eleitos ou reeleitos Rui Costa (PT-BA), Jaques Wagner (PT-BA), João Azevêdo (PSB-PB), Rogério Carvalho (PT-SE), Marcelo Castro (MDB-PI), Marília Campos (PT-MG) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). Também participou do encontro o advogado Marco Aurélio de Carvalho, um dos coordenadores da campanha de Lula.

A composição da reunião também mostra que Lula tenta preservar apoios construídos nos estados para além dos partidos de esquerda. O encontro contou com nomes do PP, MDB, PSD e PSB, como o governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP). O movimento ocorre justamente enquanto a direção da federação União Brasil-PP discute formalizar apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. O PSD decidiu liberar seus diretórios, enquanto o MDB permanece dividido.

Também foram convocados aliados que ainda enfrentam segundo turno nos estados. A reunião ocorre no início de uma rodada de articulações das duas campanhas para ampliar apoios políticos depois do primeiro turno.

Com início às 18 horas desta segunda-feira, até o fechamento desta reportagem, a reunião de Lula com os aliados em Brasília ainda estava em andamento.

Grupo de Flávio Bolsonaro quer impedir discussão do fim da 6×1 no Senado


O cenário político desenhado pelas eleições de domingo (4), com a predominância de Flávio Bolsonaro no 1º turno da eleição presidencial, deve dificultar o avanço da PEC (Proposta de Emenda da Constituição) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Senado. Apesar disso, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu preservar a agenda de debates da proposta.

A PEC, cujo autor principal é o deputado Reginaldo Lopes, do PT de MG,  será discutida em três sessões semipresenciais. A primeira está marcada para esta terça-feira (6), com outras duas previstas para quarta (7) e quinta-feira (8). A manutenção do cronograma, porém, não significa que exista consenso para levar a matéria à votação.

O fim da escala 6×1 é uma das bandeiras do presidente Lula e por isso o crescimento da direita nas urnas tornou ainda mais difícil reunir apoio suficiente para fazer a proposta avançar no Senado. A oposição trabalha para esvaziar as sessões e impedir que seja alcançado o quórum necessário.

A definição de Alcolumbre ocorreu na sexta-feira (2), às vésperas do primeiro turno. Na ocasião, a decisão foi vista como um gesto de aproximação com o governo Lula, que considera o encerramento da escala 6×1 uma de suas principais pautas no Congresso. A PEC já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio.

Como a PEC pode avançar

O regimento do Senado estabelece que uma proposta de emenda à Constituição seja submetida a cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno. Se for aprovada, precisa passar por mais três sessões de debate antes da segunda votação.

Existe a possibilidade de reduzir esse intervalo por meio da aprovação de um calendário especial. Para isso, no entanto, é necessária maioria simples dos senadores. A estratégia da oposição de não comparecer às sessões dificulta a obtenção do quórum e, consequentemente, a aceleração da tramitação.

Direita ganha força no Senado

O resultado eleitoral também alterou a correlação de forças dentro da Casa. Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou o primeiro turno à frente de Lula, com 47,03% dos votos, enquanto o petista obteve 45,16%.

O PL foi um dos principais beneficiados pela votação para o Senado. O partido elegeu 19 parlamentares e, a partir de 2027, deverá formar uma bancada de 28 senadores.

O crescimento da legenda pode ter impacto direto na sucessão da presidência do Senado. Alcolumbre pretende disputar novamente o comando da Casa, mas terá pela frente uma candidatura apoiada pelo PL.

Em entrevista à GloboNews, o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, confirmou que Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha de Flávio Bolsonaro, será candidato à presidência do Senado em 2027.


Com informações do ICL Notícias

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Eduardo Braide vence no 1º turno e é eleito governador do Maranhão


O ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), foi eleito governador do Maranhão no primeiro turno das eleições de 2026. Neste domingo (4/10), ele recebeu 54,09% dos votos válidos até a atualização de 21h27 (98,75 dos votos apurados) e alcançou a maioria necessária para encerrar a disputa pelo Palácio dos Leões já na primeira votação.

Com o resultado, não haverá segundo turno para governador no estado em 25 de outubro.

Maranhão: percentual de votos válidos por candidato no 1º turno

  • Eduardo Braide (PSD): 54,08%
  • Orleans Brandão (MDB): 34,70%
  • Felipe Camarão (PT): 9,59%
  • Roberto Rocha (PRTB): 1,27%
  • André Luis (Missão): 0,20%
  • Saulo Arcangeli (PSTU): 0,12%
  • Reginaldo Lima (PCB): 0,03%
  • Dimas Cassimiro (PCO): 0,01%
  • Oito candidaturas foram apresentadas para o governo do Maranhão em 2026. O estado tinha 5.186.562 eleitores aptos a votar.

    Como foi a disputa pelo governo do Maranhão?

    A eleição ocorreu em meio a uma mudança na configuração política do estado. Carlos Brandão, que comandou o Maranhão de 2022 a 2026, não disputou a reeleição e lançou o sobrinho, Orleans Brandão, como candidato do MDB. Felipe Camarão, vice-governador e antigo aliado do grupo de Brandão, concorreu pelo PT.

  • Eduardo Braide chegou à eleição após dois mandatos como prefeito de São Luís. A disputa também reuniu candidatos de diferentes correntes partidárias, incluindo Roberto Rocha, André Luis, Reginaldo Lima, Saulo Arcangeli e Dimas Cassimiro.

    Quem é Eduardo Braide?

    Eduardo Salim Braide, 50 anos, é advogado e natural de São Luís. Iniciou a carreira política como deputado estadual e posteriormente foi eleito deputado federal pelo Maranhão.

    Em 2020, venceu a eleição para prefeito de São Luís. Quatro anos depois, foi reeleito para o cargo. Em 2026, deixou a prefeitura para disputar o governo estadual.

    Com a maioria dos votos válidos, Eduardo Braide encerrou a disputa pelo governo do Maranhão no primeiro turno. O mandato terá início em 1º de janeiro de 2027 e seguirá até 31 de dezembro de 2030.

  • Resultado da eleição

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