O cancelamento do último debate presidencial da TV Globo antes do primeiro turno das eleições de 2026 fez um episódio de 37 anos atrás voltar a circular nas redes sociais.
Publicações passaram a dizer que Lula (PT) teria protagonizado uma espécie de "vingança" contra a emissora ao se ausentar do encontro da quinta-feira (1º), em referência à controversa edição feita pelo Jornal Nacional do debate entre Lula e Fernando Collor de Mello em 1989.
1989
A história que voltou a circular aconteceu na primeira eleição presidencial direta do Brasil depois de 29 anos. No primeiro turno de 1989, Fernando Collor (PRN) terminou na primeira colocação, enquanto Lula avançou para o segundo turno após uma disputa apertada com Leonel Brizola (PDT).
O célebre debate entre Lula e Collor foi realizado em 14 de dezembro nos estúdios da TV Bandeirantes, em São Paulo, e transmitido integralmente também na Globo, Manchete e SBT. Mas foi o que aconteceu depois do segundo debate que transformou o episódio em uma das maiores controvérsias da história da cobertura eleitoral brasileira.
Na edição do dia seguinte, Jornal Hoje e no Jornal Nacional exibiram trechos selecionados: Collor recebeu aproximadamente um minuto e meio a mais na reportagem. Segundo relato mantido pelo próprio Memória Globo, a emissora foi acusada de selecionar momentos favoráveis a Collor e desfavoráveis a Lula.
Anos depois, o ex-diretor-geral da Globo, conhecido como Boni, admitiu ter tido contato com a assessoria do presidenciável com a reclamação de que Collor era prejudicado em debates. Boni conta que foi procurado pelo então superintendente da emissora e sugeriu mudanças no estilo de o candidato se vestir.
Também foi acrescentada ao cenário uma pilha de pastas, que o próprio candidato afirmava conter documentos e denúncias contra Lula. Boni declarou que era apenas encenação, enquanto Collor nega que estivessem vazias.
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