sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Prefeitura de Barra do Corda no Maranhão afasta secretário bolsonarista por ameaça a eleitores do PT


O prefeito de Barra do Corda, no Maranhão, Rigo Alberto Teles de Sousa, determinou, nesta quinta-feira (22), o afastamento do secretário municipal de Segurança Pública, Antonio James Mota da Silva, até o fim das eleições.

Em portaria, o prefeito afirma que a decisão foi motivada pelas declarações, em áudio, de James Mota que sugerem prisão e perseguição de eleitores e apoiadores do PT.

“Durante o período de afastamento, a administração municipal adotará as providências necessárias à continuidade dos serviços e ao regular funcionamento da Secretaria Municipal de Segurança”, diz trecho da portaria, publicada na rede social da prefeitura.

James Mota da Silva é sargento da Polícia Militar do Estado do Maranhão e está cedido à Prefeitura de Barra do Corda.

Segundo admitiu o próprio ex-secretário, as mensagens foram enviadas em um grupo fechado formado por policiais militares, no aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp.

Outro lado

Em nota, publicada na imprensa maranhense, o secretário afastado de suas funções, confirma a autoria dos áudios, mas os classifica como “brincadeiras, comentários e provocações de cunho político”.

“Reconheço que, nos áudios, utilizei expressões fortes, como ‘ladrões’, no contexto das críticas políticas e das discussões que habitualmente [ocorrem] no grupo”, admitiu o sargento.

O governador reeleito do Maranhão (MDB), Carlos Brandão, também determinou o afastamento do PM. 

A ação se soma à ordem de abertura investigação sobre as declarações do militar.

Nesta sexta-feira (23), a Federação Brasil da Esperança, formada pelo PT, PCdoB e PV, protocolou uma notícia-crime eleitoral junto à Procuradoria Regional Eleitoral, solicitando uma investigação criminal urgente, perícia dos áudios, oitiva do secretário e medidas preventivas antes do segundo turno das eleições, neste domingo (25). 

O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) também comunicou à Polícia Federal (PF), a divulgação dos áudios do sargento James Mota nas redes sociais para a devida investigação.

Da Agência Brasil

Ministro do TSE barra tentativa de Nunes Marques de suspender canal de Janones


Por Cleber Lourenço/ ICL Notícias

O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu nesta sexta-feira (23) uma liminar que impede o presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, de determinar administrativamente uma nova suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Avante-MG).

Ao atender parcialmente a um pedido da coligação Brasil Pronto pra Mais, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o magistrado apontou o risco de abuso de poder por extrapolação de competência e afirmou que nenhum ministro pode se sobrepor à autoridade do Plenário.

A decisão representa um revés para as iniciativas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do Partido Liberal, que apresentaram sucessivos pedidos para suspender o canal. Nunes Marques já havia determinado o bloqueio da ferramenta, mas a controvérsia provocou decisões conflitantes dentro do próprio tribunal.

Na decisão, assinada às 14h30, Floriano fez uma advertência sobre os limites da atuação individual dos integrantes da Corte:

“Nenhum ministro da Corte, menos ainda no exercício de competência administrativa, pode se sobrepor à autoridade do Colegiado”, escreveu.

O relator também afirmou que uma nova decisão administrativa sobre a suspensão do canal, quando a matéria já está submetida ao Plenário, apresentaria um grave problema jurídico.

“Desse modo, a partir do momento em que afetada a matéria ao Colegiado, toda e qualquer decisão monocrática sobre o mesmo tema, notadamente às de natureza administrativa, padece de grave e incontornável vício de competência”, destacou.

Na sequência, Floriano apontou a consequência de uma eventual medida dessa natureza: “Praticado o ato, restaria caracterizado o abuso de poder por exercício exorbitante de competência que a autoridade despossui”.

A liminar impede que decisões administrativas da Presidência suspendam, reduzam o alcance ou restrinjam as funcionalidades do canal. A determinação ocorre a dois dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).

Leia mais no ICL Notícias

TSE dá 24h para Meta e X explicarem distribuição de material político


O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, deu prazo de 24 horas para que a empresa Meta – responsável pelas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp – e a rede social X revelem detalhes sobre a remoção de publicações e a forma como distribuem conteúdos de cunho político a seus usuários. 

Cueva é relator de um processo aberto pela campanha do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, que alega haver um favorecimento nas plataformas de conteúdos ligados ao candidato Flávio Bolsonaro, adversário no segundo turno da corrida presidencial. 

Para ilustrar o tratamento desigual, a campanha de Lula citou a remoção de um vídeo do projeto Revelando apresentado pelo artista MC Cabelinho, que contém críticas a Flávio e foi retirado da rede social Instagram na quinta-feira (22), pouco depois de ser lançado, sob alegação de uso excessivo de Inteligência Artificial. 

Para o corregedor eleitoral, diante da proximidade da votação no domingo (25), o episódio “justifica a adoção de providências destinadas a esclarecer os fundamentos da remoção e a assegurar sua pronta reavaliação".

O ministro, contudo, ressalvou que os elementos apresentados até o momento não permitem concluir que o vídeo recebeu “tratamento diferenciado em razão de sua orientação político- eleitoral". Ele determinou à Meta que submeta o material à revisão humana. 

Outra alegação da campanha lulista é que anúncios pagos pelas campanhas oficiais estariam tendo alcance distinto nas redes sociais, com menor distribuição de conteúdos ligados a Lula. A campanha lulista aponta ainda um alcance desproporcional entre conteúdos, com favorecimento a conteúdos do campo adversário. 

A defesa de Lula reclama também de tratamento desigual pela ferramenta de IA Grok, que funciona embutida no X, que apresentaria comportamento distinto quando confrontada com questionamentos semelhantes a respeito das duas candidaturas. 

Em informações apresentadas ao presidente do TSE, ministro Munes Marques, nesta semana, a Meta negou tratamento diferenciado entre as campanhas e afirmou respeitar todas as regras da Justiça Eleitoral. 

Nesta sexta (23), Nunes Marques deve realizar uma última reunião com representantes das principais redes sociais - como Instagram, Facebook, TikTok e Kwai - antes do segundo turno. 

Da Agência Brasil

Flávio Bolsonaro propõe retomada de privatizações; Lula quer fortalecer empresas públicas


Os eleitores brasileiros vão decidir, neste domingo (25) de segundo turno, entre dois programas de governo que apontam para direções opostas no debate sobre a máquina pública e seu alcance.

Temas como privatizações, venda de ativos, extinção de empresas estatais, reforma administrativa, entre outros estão presentes nos programas de governo dos candidatos Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, mas com algumas abordagens distintas.

Sobre a gestão da máquina pública, o programa de governo de Lula, que busca a reeleição, foca no aumento da eficiência e da qualidade e controle do gasto público. O programa também prevê o fortalecimento de mecanismos de transparência e o acompanhamento de políticas públicas para “a geração de valor público e redução das desigualdades.”

Para tanto, o programa aponta como um dos caminhos a universalização dos serviços públicos digitais personalizados e a construção de infraestruturas públicas digitais. A aposta é em incrementar ainda mais os serviços disponibilizados em plataformas públicas, como o Gov.br, que já reúne mais de 5 mil serviços públicos federais.

O plano também prevê medidas de transparência, controle e integridade da administração pública e combate à corrupção, além de medidas para ampliar a transparência dos gastos públicos. O foco é na investigação, prevenção e responsabilização “de corruptos e corruptores, inclusive os do andar de cima, com pleno respeito à independência das instituições”.

No que diz respeito a questões como privatização, as diretrizes do plano de governo se opõem à desestatização de empresas como a Petrobras, Embrapa, Correios, entre outras, ressaltando o papel das estatais na indução do desenvolvimento econômico, no investimento público e na garantia da soberania nacional.

O plano fala ainda em priorizar a reestruturação e recuperação financeira dessas empresas, parcerias com empresas privadas e a ampliação do Repetro, um regime fiscal e aduaneiro especial, que concede benefícios e suspensão de tributos para impulsionar a cadeia de óleo, gás natural e outros hidrocarbonetos.
 
“Defendemos ainda que a Petrobras continue também a orientar para a transição energética, alinhados ao Acordo de Paris e NDC [Contribuições Nacionalmente Determinadas, na sigla em inglês] brasileira, com investimentos em fontes de baixo carbono e redução efetiva de emissões operacionais. Vamos readequar o marco legal do Repetro às necessidades de descarbonização. 

O caminho mantém a orientação das gestões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que as empresas estatais são uma das ferramentas para o desenvolvimento do país. 

>> Confira abaixo a íntegra dos planos de governo dos dois candidatos:

O plano de governo de Flávio Bolsonaro também fala em investir mais nos serviços digitais. “A tecnologia é nossa aliada nessa tarefa: a digitalização dos serviços públicos, que devolve tempo ao cidadão no Brasil sem Fila, é também o que permite um Estado mais ágil e menos custoso por dentro”, diz o documento que aponta ainda para a continuação do governo do ex-presidente e seu pai, Jair Bolsonaro, que buscou a venda de ativos do estado.

O plano fala na adoção de mecanismos de transparência e avaliação de políticas públicas, a exemplo dos programas de transferência de renda, “identificando quem são os beneficiários de cada programa”, para medir o impacto das políticas. 

Em outro ponto, o plano propõe o que chama de tesouraço – um “corte profundo e por todos os lados” para reduzir a máquina pública e fala em realizar uma reforma administrativa.

O documento diz que vai haver ainda uma limitação de gastos operacionais da administração pública, em desregulamentação de regras infralegais nas áreas trabalhista, tributária e previdenciária para desonerar alguns setores; além de uma redução do número de ministérios.

O plano de governo diz ainda que o candidato vai retomar o Programa Nacional de Desestatização, que privatizou empresas como a Eletrobras e extinguiu a Ceitec. O documento também cita a venda de ativos estatais não estratégicos como meio para atrair investimentos privados e reduzir o endividamento público.

O texto também prevê a redução de cargos comissionados e de despesas administrativas e fala em adotar a Lei de Estatais, de 2016, como diretriz para a nomeação de dirigentes de agências reguladoras e empresas públicas.

“Vamos também profissionalizar as agências reguladoras, fortalecendo os critérios técnicos na indicação de seus dirigentes, com avaliações periódicas e um amplo revogaço regulatório, preservada a segurança jurídica”, diz o documento.

Governos anteriores

Durante os quatro anos de governo Jair Bolsonaro, cerca de 76 empresas públicas foram privatizadas, entre subsidiárias e empresas de estrutura única.

A privatização mais emblemática foi a da Eletrobras. A maior empresa de geração e transmissão de energia da América Latina foi vendida em junho de 2022 por R$ 33,7 bilhões.

Outras vendas concluídas na época foram da BR Distribuidora (subsidiária da Petrobras), Liquigás (outra subsidiária da Petrobras), Companhia Docas do Espírito Santo e a Refinaria Landulpho Alves, entre outras.

Para cuidar do assunto Jair Bolsonaro criou a Secretaria de Privatizações. Outras empresas públicas estavam na mira do governo, mas não foram desestatizadas. Entre elas, Petrobras, Correios, Casa da Moeda e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Lula, por sua vez, sempre teve um discurso contrário às privatizações. Em dezembro de 2022, quando trabalhava na transição para seu terceiro mandato, ele declarou sua contrariedade em relação à política adotada pelo governo anterior.

"Vai acabar as privatizações nesse país. Já privatizaram quase tudo, mas vai acabar e vamos provar que algumas empresas públicas vão poder mostrar a sua rentabilidade”.

Em vez disso, ele sempre preferiu, mesmo em mandatos anteriores, apostar em concessões e parcerias-público-privadas, mais notadamente na área de infraestrutura, como trechos de rodovias, portos e aeroportos.

Ao contrário da privatização, que é a venda definitiva da empresa, a concessão dá à iniciativa privada o direito de administrar e explorar aquele bem ou serviço por um período determinado, como 10 ou 15 anos, por exemplo, e o Estado recebe um pagamento por isso (outorga).

O primeiro aeroporto concedido à iniciativa privada foi o de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. Entre 2012 e 2013, já no governo Dilma Rousseff (PT), os aeroportos de Brasília (DF), Guarulhos (SP), Confins (MG), Galeão (RJ) e Viracopos (SP), de médio ou grande porte, passaram a ser administrados por empresas privadas.

Da Agência Brasil

Entidades estimulam domésticas a denunciar assédio eleitoral


A empregada doméstica Leandra Lacerda, 52 anos, recorda que precisou conviver com pressões de patrões durante períodos eleitorais. As mensagens chegaram em diferentes fases de sua trajetória profissional de formas, inclusive, escancaradas.

“Eu trabalhava numa residência. E a empregadora gritava comigo (para votar em um candidato)”, afirma.

Não foram raras as vezes em que isso ocorreu. Ela, que começou a trabalhar ainda criança, aos 11 anos de idade, já completa quatro décadas de serviços na casa de outras pessoas.

“Uma vez, uma pessoa lamentou que eu era uma pena, tipo uma sindicalista (por defender direitos da categoria)”. 

Leandra se acostumou a ouvir imposições e a não se conformar com essas e outras violações. “Chegou para mim muito assédio eleitoral por parte dos patrões nesses últimos três períodos de votação”, garante. 

Atualmente, ela é secretária de comunicação da Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad). Resolveu se tornar dirigente da entidade para estimular outras profissionais a denunciarem violações de toda ordem. 

"Não passaremos pano"

Na última semana, a federação iniciou a campanha “Não passaremos pano”, em parceria com a Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, para levar visibilidade às diferentes formas de violência contra trabalhadoras domésticas brasileiras, inclusive o assédio eleitoral

 “A ideia é falar que não devemos aceitar desrespeito com a gente”, disse Leandra. Ela considera que o trabalho doméstico ocorre em um espaço de solidão e de invisibilidade. “Sofremos todos os tipos de violações de direitos dentro de uma residência. Assédio sexual, moral, patrimonial e eleitoral”, diz a dirigente, que vive na cidade de Chapecó (SC). 

Como reconhecer o assédio

Segundo o coordenador nacional de promoção da igualdade de oportunidades e eliminação da discriminação no trabalho (Coordigualdade), o procurador Igor Sousa Gonçalves, o assédio eleitoral ocorre quando o empregador se vale da autoridade para constranger, intimidar e influenciar as escolhas políticas. Inclusive, ameaçar de demissão ou até oferecer alguma vantagem. 

“O empregador exige até o título de eleitor e informações sobre a zona eleitoral onde essa pessoa vai votar”, exemplificou o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) em entrevista à Agência Brasil. 

Igor Gonçalves lembra que denúncias podem ser feitas diretamente ao Ministério Público do Trabalho pela internet ou nas procuradorias do trabalho presencialmente em todo o país.

 “É importante que essas trabalhadoras domésticas guardem mensagens, áudios e outros registros. Podem solicitar também o sigilo da identidade”. Nesse sentido, podem optar por trazer informações genéricas caso não queiram ser identificadas.  

Vulnerabilidade

A organização não governamental (ONG) que realiza a campanha “Não passaremos pano”, a Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, parte do princípio de que não existe democracia plena quando uma trabalhadora doméstica precisa escolher entre sua liberdade política e a manutenção do emprego. 

“No trabalho doméstico remunerado, o assédio eleitoral é especialmente grave porque ocorre dentro dos lares, com maior dificuldade de fiscalização e em relações marcadas por profundas desigualdades de classe, gênero e raça”, pontua a diretora da entidade, Jéssica Miranda.  

Ela destaca que o poder de contratar uma trabalhadora não dá a ninguém o direito de controlar suas escolhas políticas. “O voto é livre e secreto. A democracia também precisa ser respeitada dentro das casas onde essas mulheres trabalham", ressalta. 

"Eu não me dei conta"

Jéssica se baseia em histórias como a da doméstica maranhense Maria das Graças dos Santos, de 64 anos. Antes do trabalho doméstico, viveu na roça e quebrava coco babaçu desde os 10 anos de idade. 


Entidades estimulam domésticas a denunciarem assédio eleitoral. Na foto a doméstica maranhense Maria das Graças dos Santos, de 64 anos. Foto: Maria das Graças/ Arquivo Pessoal
A maranhense Maria das Graças dos Santos, 64 anos, diz que recebeu pressões para votar em candidatos de famílias para as quais trabalhou - Foto Maria das Graças Santos/ Arquivo Pessoal

Ela, que teve cinco filhos, diz que recebeu pressões diversas para votar em candidatos próximos a famílias para as quais trabalhou. “Na época, não me dei por conta [da gravidade da situação]”. 

Hoje, a diretora faz questão de falar para trabalhadoras mais jovens que o voto deve ser feito de forma livre. “Cada um de nós tem que exercer a democracia. Esse é um grande problema atual. Tem trabalhadora que vota por se sentir pressionada. Tem o medo de perder o emprego”.

Ambiente de risco

O procurador Igor Sousa Gonçalves garante que o MPT tem ferramentas de investigação e pode adotar medidas para proteger essa trabalhadora e buscar a responsabilização dos envolvidos. “As trabalhadoras domésticas, de modo geral, estão particularmente vulneráveis porque trabalham dentro da residência do empregador em um ambiente de isolamento, proximidade pessoal e dependência econômica”. 

Segundo ele, a Lei 9.029, de 1995, resguarda trabalhadores das diferentes formas de discriminação. Até a noite dessa quinta-feira (22), havia cerca de 1,7 mil denúncias de assédio eleitoral. Para Gonçalves, as denúncias desse tipo de violação tendem a aumentar até domingo (25), dia da eleição. 

Da agência Brasil

Lula participa de live do “exército” e estimula ida de idosos às urnas no domingo


O candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, passou esta quinta-feira (22) no Palácio da Alvorada se preparando para o debate desta sexta-feira (23), na TV Globo. À noite, ele participou de uma live com o deputado federal André Janones (Rede-MG).

Na transmissão ao vivo, Lula mandou um recado para todos que não foram votar no primeiro turno porque não quiseram ou porque não gostavam de nenhum dos candidatos. Ele falou, sobretudo, com os mais velhos, que não têm mais obrigação de votar por terem mais de 70 anos.

“Agora você tem que pensar no Brasil, na sua pátria. No país que você trabalhou 60 anos para construir. Naquele país que você viu nascer seu filho, seu neto. É como se a gente fosse uma árvore, a gente vai ficando mais velho e dando frutos, e esses frutos dão sementes que dão novas árvores. Você é isso, você precisa cuidar das árvores que colocou no mundo”.

O candidato à reeleição defendeu as políticas sociais e reiterou a promessa de ampliar o programa Pé-de-Meia para os universitários. A versão escolar do programa Pé-de-Meia foi criada em 2024. Trata-se de um incentivo financeiro-educacional pago pelo governo federal para promover a permanência e a conclusão escolar de pessoas matriculadas no ensino médio público.

Janones conduz um canal no WhatsApp chamado Exército do Lula para organizar uma militância espontânea e aumentar o apoio ao candidato do PT nas redes sociais. O canal já conta com 8,5 milhões de pessoas. Na esteira dessa mobilização, Lula e Janones fizeram a live, ouvindo artistas de várias áreas.

A atriz Marieta Severo participou da live e também fez um chamamento para que os idosos se motivem a votar no domingo (25), dia do segundo turno das eleições. Ela lembrou que ir votar serve como prova de vida para continuidade do recebimento dos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Lula e Janones também conversaram com o cantor Jão, que incentivou os jovens a votar. A live ainda teve as participações da youtuber Nath Finanças, da atriz Camila Pitanga, do apresentador Serginho Groismann e da atriz Leandra Leal.

Flávio Bolsonaro

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) não teve agenda pública de campanha nesta quinta-feira. Estava prevista a realização de uma live no YouTube, mas o candidato não participou.

Da Agência Brasil

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Pesquisa Datafolha mostra Flávio Bolsonaro com 50% e Lula com 50% dos votos válidos


O Datafolha divulgou, nesta quinta-feira (22), uma nova pesquisa com a intenção de votos na disputa pela Presidência da República. É o penúltimo levantamento do instituto antes do segundo turno, que ocorre no domingo (25).

Nos votos válidos, Flávio Bolsonaro (PL) tem 50% e Lula (PT), 50%. O número de votos válidos exclui brancos, nulos e indecisos — e é o dado que a Justiça Eleitoral utiliza para determinar o resultado eleitoral.

A pesquisa foi realizada com 2.520 entrevistados, com 16 anos ou mais, entre os dias 20 e 22 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.


O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-09709/2026.

Veja os números:

Votos válidos

  • Flávio Bolsonaro (PL): 50%
  • Lula (PT): 50%

Estimulada

  • Flávio Bolsonaro (PL): 47%
  • Lula (PT): 46%
  • Brancos e nulos: 5%
  • Indecisos: 2%

Com informações do portal Zero Hora

Globo divulga regras para último debate antes do 2º turno


Do ICL Notícias

A TV Globo, divulgou nesta quinta-feira (22), as regras para o último debate presidencial antes do 2º turno, que acontece amanhã (23), às 21h20 (horário de Brasília). Entre as regras, a emissora estipulou que os candidatos Luís Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não poderão circular pelo cenário enquanto o adversário estiver falando em alguns blocos.

O debate transmitido pelo canal aberto da emissora contará com quatro blocos, além das considerações finais. Nos três primeiros, o candidato que tiver a palavra poderá se movimentar pelo estúdio livremente. Enquanto isso, o adversário deve ficar no púlpito até chegar a sua vez.

A regra tenta evitar cenas como as do debate da Band, no último domingo (18), quando Flávio ficou rondando Lula enquanto o presidente falava, reagindo às declarações do adversário diante das câmeras e tomando a atenção do expectador para si. A postura provocou reclamações da campanha petista.

O primeiro bloco terá seis rodadas de perguntas sobre questões ligadas às diferentes regiões brasileiras e um tema prioritário para o país. Em cada rodada, os candidatos terão três minutos, distribuídos entre pergunta e réplica ou resposta e tréplica.

Nos segundo e terceiro blocos, os participantes deverão selecionar, no telão, os assuntos que servirão de base para as perguntas. Já no quarto, dedicado a temas livres, cada candidato contará com oito minutos para falar, sem restrição ao número de intervenções. Na etapa final, os candidatos poderão circular livremente pelo próprio lado do cenário.

Mediado pelo jornalista César Tralli, o debate será exibido após o Jornal Nacional, às 21h20. No primeiro turno, a TV Globo suspendeu o encontro em cima da hora, após decisões da Justiça Eleitoral vetarem a exibição de púlpitos vazios dos candidatos Lula e Flávio Bolsonaro. O representante do PL desistiu de participar pouco antes do início, depois que Renan Santos (Missão) confirmou presença.

ICL vai fazer checagem em tempo real

O canal ICL Notícias no YouTube vai fazer checagem de fatos ao vivo durante o debate entre candidatos à Presidência da República Lula e Flávio Bolsonaro, nesta sexta-feira (23).O anúncio foi feito por Eduardo Moreira, em postagem no Instagram. “O ICL vai fazer o react ao vivo, checando  todos os fatos. O ICL vai fazer a checagem de fatos, o fact checking, simultânea durante o debate da Globo na sexta-feira”, afirmou Edu. “Assista o debate e com celular na mão fique ligado no ICL, que a gente vai checar tudinho.”

Além de Eduardo Moreira, a checagem vai contar com a participação da economista Deborah Magagna e dos jornalistas Juliana Dal Piva e Paulo Motoryn.

Uma petição que cobra da TV Globo a checagem de fatos ao vivo durante o debate presidencial ultrapassou 900 mil assinaturas ainda na quarta-feira (21). A mobilização exige que a emissora verifique as declarações dos candidatos durante o confronto.

A iniciativa ganhou adesões após o debate realizado pela Band no último domingo (18), quando os presidenciáveis apresentaram informações que foram contestadas posteriormente por agências de checagem.

Nesta quinta-feira, a TV Globo anunciou que o Fato ou Fake, serviço de checagem do Grupo Globo, preparou uma cobertura especial para verificar as declarações dos candidatos durante o debate. Uma equipe de mais de 30 jornalistas do Grupo Globo vai trabalhar em conjunto para soltar as informações no G1, O Globo e rádio CBN.

Em contrapartida, nas redes sociais, o público questiona pela checagem em tempo real, durante a transmissão na televisão, durante as falas dos presidenciáveis. Muitos dos internautas afirmas que não são todos os eleitores quem têm acesso à internet para ler os sites, o que prejudica a compreensão em sua totalidade da dinâmica, principalmente do grupo dos indecisos.

Sócio da TV Difusora no Maranhão, Willer Tomaz apostou R$ 5 bilhões em bet, perdeu R$ 163 milhões e pede devolução


Do site Metrópoles

O advogado e sócio-proprietário da TV Difusora no Maranhão, Willer Tomaz, apostou quase R$ 5 bilhões no ano de 2025 em jogos on-line. Em apenas uma bet, a Blaze, ele movimentou R$ 10 bilhões entre ganhos e perdas. A TV Difusora é afiliada do SBT no estado.

Em agosto deste ano, Willer procurou a Justiça para exigir que a casa de apostas devolva o dinheiro, alegando que é viciado em jogos e acusando a empresa de burlar regras de jogo responsável para lucrar com sua suposta compulsão.

Em um ano, Willer perdeu R$ 163 milhões para a casa de apostas, valor equivalente à metade do lucro que a Blaze registrou ter enviado para um paraíso fiscal, a ilha de Man. Boa parte das transações acontecia em desacordo com a regulamentação federal, por um combinado entre ele e a Blaze.

Em relatório da Polícia Federal que embasou operação do último dia 4 de agosto, Willer foi apontado como “verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” de investigados pela Máfia do INSS.

Três dias antes da operação que o teve como alvo, o advogado ingressou com uma ação contra a Blaze na 44ª Vara Cível de São Paulo, com um inusitado pedido de reparação pelas perdas de R$ 163 milhões com jogos on-line em um ano.

No processo, ao qual a coluna teve acesso, Willer mostra que a relação continuada o levou a uma das escalas mais altas do programa de fidelidade da Blaze: o nível 171.

Willer apostava durante períodos relativamente curtos do dia, mas sempre em valores fora da realidade de um brasileiro médio. No dia 29 de julho, por exemplo, jogou das 2h às 4h. Nesse intervalo, fez 11 depósitos de R$ 100 mil cada e perdeu tudo após centenas de giros de roleta com apostas sempre acima de R$ 50 mil.

A rotina seguiu em 2026. Na manhã de 19 de janeiro, depositou R$ 500 mil na Blaze e, depois de meia hora jogando on-line, sacou R$ 1 milhão fracionado em dez vezes. À tarde, ganhou um bônus de fidelidade de R$ 325 mil (o que é proibido pela legislação), que torrou em cinco minutos. À noite, o lucro da manhã virou água, com perdas de R$ 725 mil.

Naquele dia, Willer voou de volta dos EUA ao Brasil, dando carona ao senador Flávio Bolsonaro (PL) em seu jatinho – a relação próxima entre os dois virou assunto nacional nas últimas semanas, com notícias de que Flávio ficou hospedado em um apartamento de Willer em São Paulo, fez a festa de aniversário da filha em uma casa do advogado em Angra dos Reis (RJ) e que os dois viajaram juntos ao exterior cinco vezes em 2025.

Conversas anexadas aos autos, na tentativa de provar que a casa de apostas foi imprudente, mostram o advogado irritado por precisar fazer reconhecimento facial cada vez que desejava sacar R$ 100 mil.

“Todos os saques estão pedindo reconhecimento facial. Isso dificulta muito, amigo”, reclamou em janeiro de 2025. Informado de que se tratava de imposição da nova regulação federal, protestou: “Meu Deus. Então aumenta o limite para saque, para R$ 500 mil por saque. Senão irá inviabilizar o tamanho do meu jogo. Esse reconhecimento facial está demorando até um minuto”.

O concierge logo voltou com uma solução proibida pela regulamentação que havia acabado de ser implementada: “Você não vai mais ser amolado com o reconhecimento facial, então você pode fazer quantos pedidos (de saque) quiser”. A medida é proibida pela legislação federal.

Willer usava como argumento para seus pedidos ser fonte constante de receitas para a bet: “Duvido que exista alguém no mundo que tenha te dado mais lucro do que eu. Acho que nem mesmo meu amigo Njr”, escreveu ao concierge, em provável referência a Neymar Jr, garoto propaganda da Blaze.

Queria, afinal, uma linha de crédito como a que tem em Las Vegas. “As autoridades reguladoras estão me questionando, assim como os bancos. Existe alguma solução? Talvez criar uma linha de crédito para fazer uma única transação mensal? Assim como faço com os cassinos em Las Vegas. Tenho uma grande linha de crédito com cassinos como o WYNN e outros”, explicou, citando um cassino de luxo de Vegas.

R$ 10 bilhões em um ano

Quando o ritmo da jogatina diminuiu a partir da primeira semana de março, o concierge dedicado a atendê-lo notou e quis saber por que. Willer explicou que estava incomodado com a demora da Blaze em liberar seus saques e que havia se assustado com o relatório sobre a atividade da conta dele.

“Os números são extremamente altos, tanto em termos de movimentação quanto de perdas. Considerando o nível de atividade da minha conta, eu esperava, na verdade, algum tipo de verificação ou sugestão relacionada ao jogo responsável por parte da plataforma”, reclamou, em meados de março deste ano.

O relatório mostra que Willer ganhou R$ 4,800 bilhões em jogos de cassino em 2025 e perdeu R$ 4,963 bilhões, o que dá um resultado líquido de R$ 163 milhões negativos. Em apostas esportivas, teve lucro de R$ 39 mil.

Do processo ao vício

Quatro dias depois de receber o relatório mostrando que perdia muito mais do que ganhava – os depósitos dele em 2025 somaram R$ 300 milhões e, os saques, R$ 137 milhões -, Willer já tinha um processo pronto contra a Blaze.

Antes de protocolá-lo, procurou a empresa para lembrar do risco de exposição pública da querela e oferecer um acordo pelo qual a Blaze devolveria 70% de tudo que perdeu.

“O caso é baseado na forma como o sistema efetivamente funcionava na prática — especialmente na assimetria entre depósitos e saques, na retenção e reversão reiteradas de solicitações de saque, nos obstáculos operacionais que mantinham os recursos dentro da plataforma, nos incentivos vinculados às perdas e na ausência de medidas eficazes de jogo responsável, apesar do volume extremamente elevado de movimentações”, explicou Willer, recebendo do concierge a orientação de conversar direto com o jurídico.

Quando a ação foi de fato protocolada, em agosto, quatro meses depois, surgiu um fato nunca tratado nos diálogos entre Willer e seu concierge: um suposto vício em apostas. “Não existe leitura possível desse padrão (de apostas) que não seja a de jogo patológico em grau extremo”, argumentou nos autos o ex-ministro Eugênio Aragão, sócio de Willer e seu advogado no processo.

Para atestar a ludopatia, Aragão anexou ao processo um laudo assinado em julho pelo psiquiatra Diego Canelhas. O documento cita que Willer estava “iniciando tratamento” e detalha que o psiquiatra examinou “a documentação trazida pelo paciente referente ao volume de dinheiro em apostas” e que os valores “falam por si só sem precisar de muito raciocínio”.

“Paciente ainda referindo que, percebendo e vendo excessividade extrema, tentara lutar contra, tentando bloquear ou dar um fim em definitivo da plataforma, porém, nunca obtendo êxito, pois a plataforma dificulta e muito esse direito do jogador de ir e vir, provocando o jogador, ainda mais no caso de vício extremo do paciente referido de se libertar da plataforma, nunca conseguindo a verdadeira exclusão”, continuou o psiquiatra.

Os autos não trazem registro de que Willer tenha se cadastrado no sistema federal de autoexclusão – desde o fim do ano passado, cidadãos que se cadastraram ali não conseguem abrir contas, depositar, apostar ou receber publicidade segmentada das operadoras legais.

Aragão sustenta que Willer pediu que a Blaze bloqueasse sua conta e não foi atendido pela plataforma. Para tanto, juntou dois prints de breves diálogos entre um perfil não identificado e o chat de atendimento da Blaze. Não há registro de data das mensagens.

“Quero que vcs bloqueie o meu acesso a jogos. E parem de me enviar promoções estimulando apostas. Estou com problemas de saúde. Estou viciado. Já perdi o que tinha e o que não tinha”, diz uma dessas mensagens, atribuída por Aragão a Willer.

Em outra conversa, também sem data, o usuário atribuído a Willer diz ao atendente do chat da Blaze: “Não é email. É mensagem no telefone. Com bônus e código de bônus, incentivando a jogar. E ainda está sendo possível jogar. Bloqueie em definitivo pfvr. Como vocês sabem, eu já tenho diagnóstico de ludopatia”.

De acordo com Aragão, Willer seguiu sendo alvo de publicidade dirigida da Blaze mesmo depois do pedido de exclusão. Para demonstrar isso ao juiz, juntou um print do grupo de Telegram com 474 mil inscritos no qual a Blaze divulga promoções para pessoas cadastradas e os prints de dois SMSs oferecendo um crédito recompensa de R$ 1 mil e um giro diário com prêmios de até R$ 15 mil.

Willer trabalha diretamente com apostas esportivas. Como vem mostrando a coluna, ele é beneficiário final da RioPag, empresa que recebeu da gestão Cláudio Castro (PL) a exclusividade na intermediação de pagamentos entre apostadores e casas de aposta para as bets licenciadas pelo estado do Rio – ele é o único acionista conhecido do fundo que investe na empresa-mãe da RioPag.

Ele também atua diretamente como advogado da RioPag e seu escritório de advocacia, até pelo menos o mês passado, patrocinava uma associação de casas de apostas, a Aposta Legal, presidida por um funcionário do escritório – o mesmo funcionário que administra a cota de Willer no jatinho que também pertenceu a Daniel Vorcaro.

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