sábado, 31 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro não explica fuga e já fala em nova eleição antes de 2030


Do Congresso em Foco

Em uma transmissão de aproximadamente 17 minutos, o senador relatou que decidiu deixar o país após ser intimado pela Polícia Federal, na segunda-feira (26), ao sair de uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. Disse que tomou a decisão com a esposa, Fernanda, sem comunicar previamente aos aliados.

"A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse. Até porque, se soubesse, a chance de dar errado seria maior", afirmou.

Apesar do relato, Flávio não esclareceu como atravessou a fronteira, quem organizou o deslocamento nem quais autoridades participaram da operação. Tampouco comentou a ajuda recebida de integrantes do governo americano, revelada pela imprensa.

Fuga pela Argentina e ajuda dos EUA

Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas. A família atravessou a fronteira por Foz do Iguaçu (PR) e entrou na Argentina pela cidade de Puerto Iguazú. O senador utilizou seu passaporte italiano, obtido após o reconhecimento de sua cidadania europeia em 2023.

Da Argentina, embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador, onde houve uma escala para reabastecimento. A aeronave seguiu para Miami, na Flórida, onde pousou na manhã de quarta-feira (28). Para entrar nos Estados Unidos, Flávio utilizou seu passaporte diplomático brasileiro, embora o documento já tivesse sido cancelado pela Polícia Federal.

A viagem contrariou uma decisão de Moraes que proibiu o senador de deixar o país e determinou a entrega de seus passaportes, inclusive os de outras nacionalidades. Como Flávio não apresentou os documentos no prazo estabelecido, a PF cancelou seus passaportes brasileiros comum e diplomático. O documento italiano permaneceu válido.

A fuga contou com auxílio do governo de Donald Trump, segundo reportagens do The New York Times e do The Wall Street Journal. De acordo com o jornal americano, Jason Miller, integrante da área de comunicação da Casa Branca, providenciou o jato particular utilizado pela família. Trump também autorizou a entrada do senador nos Estados Unidos por meio de um mecanismo de admissão temporária, conhecido como parole.

A Polícia Federal brasileira informou que investiga as circunstâncias do descumprimento das medidas judiciais. Não havia ordem de prisão contra Flávio quando ele deixou o Brasil.

Acusações ao STF e questionamentos à eleição

No vídeo, Flávio voltou a acusar o Judiciário de perseguição política e questionou a legitimidade do resultado eleitoral, sem apresentar provas de fraude. Disse que Lula teria cometido irregularidades durante a campanha e que algumas situações seriam "matematicamente impossíveis", sem demonstrar a alegação.

O senador afirmou ter decidido sair do Brasil para continuar se manifestando politicamente e evitar o que considera uma tentativa de silenciá-lo. "Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil", declarou.

Flávio é investigado no STF por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao advogado Willer Tomaz e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a quem pediu US$ 34 milhões, segundo ele, para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O senador nega irregularidades e sustenta que a investigação tem motivação política.

A eventual queda de Lula, mencionada por Flávio, não provocaria automaticamente uma nova eleição presidencial. Em caso de impeachment, o vice-presidente Geraldo Alckmin assumiria o cargo. Pela Constituição, uma nova eleição só seria convocada em caso de vacância dos dois postos: se isso ocorrer nos dois primeiros anos do mandato, a escolha será feita diretamente pelos eleitores; nos dois últimos, caberá ao Congresso Nacional eleger os substitutos. Outra possibilidade é a cassação da chapa presidencial pela Justiça Eleitoral, hipótese sujeita a regras próprias.

Rogério Marinho para o Senado

Flávio também anunciou que pretende continuar exercendo influência política a partir dos Estados Unidos. Defendeu a eleição do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha presidencial, para a presidência do Senado em fevereiro de 2027. "A nossa trincheira, neste momento, será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal", afirmou.

Segundo Flávio, a eleição de Marinho seria fundamental para organizar a resistência ao próximo governo. O PL ampliou sua representação nas eleições de outubro e deverá reunir 29 dos 81 senadores a partir de fevereiro, tornando-se a maior bancada da Casa.

O senador encerrou a transmissão pedindo união aos apoiadores e afirmando que permanecerá politicamente ativo no exterior. Também voltou a dizer que não reconhece plenamente o resultado da eleição, embora a vitória de Lula tenha sido proclamada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e reconhecida por observadores internacionais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Flávio Bolsonaro não explica fuga e já fala em nova eleição antes de 2030

Do Congresso em Foco Em uma transmissão de aproximadamente 17 minutos, o senador relatou que decidiu deixar o país após ser intimado pela Po...