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domingo, 30 de novembro de 2025

Governo inaugura Centro de Cultura Negra do Maranhão e abre 1ª Casa Quilombola do Brasil


O Governo do Maranhão inaugurou nesta semana dois espaços históricos destinados à população negra e quilombola. Em uma agenda marcada pela presença do governador Carlos Brandão e demais autoridades, foram anunciados novos programas de enfrentamento ao racismo e de valorização da ancestralidade afro-brasileira, demarcando o auge do período dedicado à Consciência Negra.

A primeira etapa da agenda do “Novembro Negro” ocorreu no Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN), no bairro João Paulo, que acaba de passar por um amplo processo de revitalização. Um ano após a assinatura da ordem de serviço, o espaço foi entregue em novas condições de segurança, conforto e convivência para a realização de projetos ligados à cultura afro.

Durante a visita, o governador descerrou a placa, destacou o significado histórico da entrega e o alinhamento com uma agenda permanente de políticas de igualdade racial e, em seguida, percorreu as áreas requalificadas ao lado de lideranças da cultura negra e de secretários de Estado.

“Há um ano, estive aqui e encontrei este antigo mercado de escravos completamente degradado. Decidimos transformar esse símbolo de dor em um centro moderno de capacitação para o povo negro, assinando a ordem de serviço e fortalecendo políticas específicas para essa maioria do nosso estado. Hoje, entregamos um equipamento digno”, enfatizou Carlos Brandão.

Para a secretária estadual de Igualdade Racial, Célia Salazar, a reforma é o cumprimento de uma promessa. “Significa dizer que nós temos um governo que, de fato, tem compromisso com a população negra. A partir de agora, no CCN, vão acontecer mais cursos, palestras e atividades culturais.”

O coordenador do CCN, Airton Ferreira, agradeceu à gestão estadual pela revitalização. “Agradecemos ao governador Carlos Brandão por acreditar nesse projeto e revitalizar esse espaço, com auditório climatizado, salas de informática, pesquisa, administrativo-financeira, coordenação e produção para realizarmos nossas atividades. É algo de uma dimensão que nem conseguimos definir, dada a importância histórica, política e cultural do prédio, que traz tantos valores da África e do nosso povo”, afirmou.

Elias Belfort, representante da União das Comunidades Rurais Quilombolas de Itapecuru (Uniquita), coordenador da Federação Estadual de Quilombos (Fecma) e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conac), lembrou que as obras simbolizam a reparação de uma demanda de gerações. “É de grande satisfação para nós receber o prédio reformado, porque por muitos anos esperamos que isso acontecesse. E, hoje, o governador atendeu nosso pedido”, relatou.

A mãe e moradora Annalise Martins elevou a expectativa. “Espero que venha trazer projetos para a comunidade. Eles sempre estão aqui ensaiando, eu escuto. A neném gosta. E, quando ela tiver idade, vou fazer com que ela participe também da cultura.”



Casa Quilombola

Da Rua dos Guaranis ao Centro Histórico de São Luís, a comitiva seguiu para a inauguração da Casa Quilombola (Centro de Referência Estadual Quilombola), o primeiro equipamento do tipo no Brasil. O espaço nasce como fruto do diálogo entre o Governo do Maranhão, organizações quilombolas e entidades parceiras, que atuarão na gestão compartilhada. 

Criada para acolher quilombolas, oferecer apoio educativo e cultural e servir como polo de articulação de direitos, a Casa Quilombola se torna referência nacional, uma vez que o Maranhão é o estado com maior número de comunidades remanescentes de quilombos do país.

“São políticas que dialogam exatamente com a luta e com a resistência. É um movimento de reconhecimento e reparação do que esses povos já sofreram no país, reconhecendo que a sociedade maranhense precisa combater, veementemente, o racismo estrutural. Este é um marco histórico para o Maranhão. É muito bom saber que o governador Carlos Brandão não tem medido esforços nessa luta”, afirmou a secretária de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular, Lília Raquel Negreiros.

De acordo com Gardênia Aires, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), organização presente em 24 estados brasileiros, o papel do Centro de Referência é garantir visibilidade.

“Além de ser um espaço físico para atendimento das demandas dos quilombolas, representa a visibilidade dos saberes, práticas, direitos e deveres das comunidades. Esperamos que o Centro se torne um espaço de formação, valorização, educação e fortalecimento do processo de ensino-aprendizagem, em diálogo com o Estado, responsável pela execução das políticas públicas às quais temos direito”, reforçou.

Representantes da Associação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Maranhão (Aconeruq), da Conaq/MA e da União das Organizações Quilombolas (Uniquis) acompanharam a entrega.

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